Popularização de canetas emagrecedoras amplia atenção ao planejamento reprodutivo
Medicamentos como semaglutida e tirzepatida levantam dúvidas sobre gestação, fertilidade e eficácia de contraceptivos; médica de Salvador orienta sobre cuidados

O crescimento do uso de canetas emagrecedoras no Brasil tem despertado a atenção de especialistas para os cuidados necessários entre mulheres que desejam engravidar. Medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, como a semaglutida e a tirzepatida, exigem acompanhamento médico, especialmente durante o planejamento de uma gestação.
Dados sobre o perfil dos consumidores apontam que 60,2% dos usuários são mulheres, sendo a faixa etária de 40 a 49 anos responsável por 26,5% do total. A presença desses medicamentos na rotina feminina também ampliou os questionamentos sobre possíveis impactos na fertilidade, na gravidez e no uso de anticoncepcionais.
Canetas emagrecedoras oferecem riscos durante a gravidez?
Especialistas em reprodução humana alertam que esses medicamentos não devem ser utilizados durante a gestação. Isso porque as pesquisas disponíveis sobre a exposição de mulheres grávidas a essas substâncias ainda são insuficientes para determinar com segurança os possíveis efeitos sobre o desenvolvimento fetal.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomenda a interrupção do tratamento antes de uma gravidez planejada. O prazo de suspensão depende da substância utilizada: para a tirzepatida, a orientação é de pelo menos um mês antes da tentativa de engravidar; para a semaglutida, o intervalo recomendado é de pelo menos dois meses.
Segundo a diretora médica do IVI Salvador, Genevieve Coelho, o acompanhamento deve começar ainda na fase de planejamento familiar.
“Quando uma mulher deseja engravidar, é importante realizar um planejamento com antecedência. No caso de pacientes com diabetes ou outras condições metabólicas, por exemplo, não basta apenas suspender o uso de substâncias, é preciso avaliar como essa condição será acompanhada durante o período que antecede a gestação”, explica Diretora Médica do IVI Salvador, Genevieve Coelho.
Uso de canetas emagrecedoras pode aumentar a fertilidade?
Outra dúvida frequente envolve a relação entre a perda de peso e as chances de engravidar.
Embora a redução da gordura corporal e a melhora de condições metabólicas possam beneficiar a saúde reprodutiva de algumas mulheres, ainda não existem evidências científicas suficientes para comprovar que as canetas emagrecedoras aumentem diretamente a fertilidade humana.
Nos casos em que a gravidez acontece durante o tratamento, a orientação é suspender o medicamento e buscar avaliação do médico responsável e do obstetra.
“A exposição a esse tipo de substâncias, por si só, não significa que haverá uma complicação, mas precisa ser avaliada individualmente”, conta.
Atenção ao uso de anticoncepcionais
O uso das canetas emagrecedoras também exige atenção de mulheres que utilizam anticoncepcionais orais.
Medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida podem retardar o esvaziamento do estômago, principalmente no início do tratamento. Esse efeito pode interferir na absorção de determinados medicamentos administrados por via oral.
No caso específico da tirzepatida, a orientação é que mulheres que utilizam anticoncepcionais hormonais orais considerem um método contraceptivo não oral ou acrescentem um método de barreira, como o preservativo, durante quatro semanas após o início do tratamento e por mais quatro semanas depois de cada aumento de dose.
A recomendação não deve ser generalizada para todas as canetas emagrecedoras, já que os efeitos sobre a absorção e a eficácia dos contraceptivos variam conforme a substância utilizada.
Mulheres que pretendem fazer fertilização in vitro precisam de cuidados
Para pacientes que planejam recorrer à fertilização in vitro (FIV), o uso desses medicamentos também deve ser informado à equipe médica.
O planejamento da reprodução assistida envolve uma avaliação ampla das condições de saúde, incluindo fatores hormonais, metabólicos e os tratamentos utilizados antes da gestação.
De acordo com Genevieve Coelho, a análise individualizada permite definir o momento mais adequado para cada procedimento.
“Na FIV, por exemplo, é preciso olhar para a paciente de forma integral. O uso dessas substâncias deve ser informado à equipe de reprodução humana para que os profissionais possam avaliar o momento mais adequado para iniciar o tratamento e conduzir cada etapa de acordo com as necessidades da paciente”, conclui a diretora médica do IVI Salvador.
A orientação dos especialistas é que mulheres em tratamento com canetas emagrecedoras conversem com seus médicos antes de tentar engravidar, evitando a interrupção sem planejamento, principalmente quando há doenças metabólicas que precisam permanecer controladas.
Sobre o IVI – RMANJ
Fundado em 1990, na Espanha, o IVI surgiu como uma instituição médica dedicada exclusivamente à reprodução humana. Atualmente, o grupo conta com aproximadamente 190 clínicas distribuídas em 15 países e sete centros de pesquisa ao redor do mundo, com atuação na área de medicina reprodutiva.



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