Partido vai exigir ficha criminal para barrar filiação de integrantes de facções

Sigla aprovou resolução para impedir entrada de pessoas ligadas ao PCC, CV, milícias e grupos criminosos

Política
Partido vai exigir ficha criminal para barrar filiação de integrantes de facções
BRUNO PERES/AGÊNCIA BRASIL

O MDB decidiu apertar o cerco contra a infiltração do crime organizado na política. Em resolução publicada nesta segunda-feira (15), o partido passou a exigir a apresentação de ficha criminal de pessoas interessadas em se filiar à legenda. A medida mira diretamente integrantes de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

“Fica vedada a filiação, a indicação ou a candidatura de pessoas vinculadas a facções criminosas, milícias, grupos paramilitares ou organizações criminosas congêneres, devendo os órgãos partidários competentes adotar medidas preventivas e permanentes de verificação da vida pregressa, dos antecedentes, da origem de recursos e de vínculos pessoais, familiares, profissionais ou societários de filiados e pré-candidatos, especialmente no momento da formação de chapas e da escolha de candidaturas”, diz o artigo 5 da resolução.

Regra também atinge casos de violência contra mulheres

Além do combate ao crime organizado, o MDB incluiu no mesmo texto a proibição de candidaturas de pessoas com histórico de agressões contra mulheres. A decisão faz parte de um pacote de medidas internas voltadas ao fortalecimento dos critérios de filiação e escolha de candidatos.

Implementação ainda gera dúvidas dentro do partido

Apesar de apoiar a iniciativa, o presidente de honra do MDB na Bahia e ex-ministro Geddel Vieira Lima afirmou que o desafio será transformar a resolução em um sistema de controle efetivo.

“Se for uma resolução do partido, o partido vai implementar, evidentemente. Resta saber tecnicamente como fazer isso. As filiações hoje são feitas também no próprio município, então temos que montar uma estrutura para ver como é que viabiliza isso. Tenho que esperar qual é a orientação nacional”, ressaltou.

Geddel também reconheceu que o tema ganhou força após o aumento das discussões sobre a influência de facções no processo eleitoral.

“A ideia é correta, a ideia é boa nesse momento que se fala tanto de infiltração dessas facções na política. Agora, temos que saber exatamente como se implementa, como faremos esse tipo de controle”, afirmou.

TSE e Ministério Público já reforçaram fiscalização

O endurecimento das regras do MDB acontece em um momento de maior atenção das instituições eleitorais sobre o tema. No ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidou entendimento no sentido de impedir candidaturas de integrantes de organizações criminosas.

Já em 2026, o Ministério Público Eleitoral criou o Grupo de Trabalho de Combate ao Crime Organizado no Âmbito Eleitoral, com o objetivo de orientar procuradores e servidores na fiscalização das eleições.

Grupo vai treinar procuradores e servidores

Na próxima semana, o grupo do MP Eleitoral promoverá uma capacitação voltada ao uso de ferramentas e técnicas de investigação eleitoral. A proposta é ampliar o controle sobre candidaturas suspeitas e também rastrear possíveis financiamentos de campanhas por organizações criminosas.

Com a nova resolução, o MDB tenta se antecipar ao debate nacional sobre segurança institucional e integridade partidária em ano eleitoral.

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