Na estreia da propaganda eleitoral, campanhas de Jerônimo e ACM Neto apostam em estratégias diferentes
Com mais tempo de televisão, campanha de ACM Neto investiu em apresentação de propostas, enquanto equipe de Jerônimo explorou ritmo, humor e linguagem próxima das redes sociais

“Quem não é o maior tem que ser o melhor” é uma máxima que ajuda a explicar uma das principais características da estreia da propaganda eleitoral gratuita na Bahia. A coligação de ACM Neto dispõe de mais tempo de exposição, enquanto a campanha de Jerônimo Rodrigues buscou compensar a menor participação com uma comunicação marcada por ritmo, humor e referências à linguagem das redes sociais.
Mais do que estabelecer uma vantagem definitiva para um dos candidatos, o primeiro dia mostrou estratégias de comunicação distintas. Os programas de ACM Neto, seus candidatos ao Senado e postulantes à Câmara e à Assembleia recorreram a formatos mais tradicionais, com apresentação de propostas, depoimentos e participação dos candidatos. Já a equipe de Jerônimo apostou em uma edição mais dinâmica e em recursos de entretenimento para apresentar sua mensagem.
Nos programas do atual governador, o humor apareceu como uma das ferramentas de aproximação com o público. Personagens como “Correria” e “Galego”, além de uma edição mais acelerada, ajudaram a construir uma identidade visual e narrativa próxima do conteúdo consumido nas redes sociais. A estratégia procura tornar a propaganda mais leve e facilitar a associação do candidato às ações apresentadas pela campanha.
A campanha de ACM Neto, por outro lado, optou por aproveitar o maior tempo disponível para apresentar o candidato e desenvolver temas de interesse do eleitorado. A escolha por uma linguagem mais convencional pode ser vista como uma tentativa de dar maior espaço ao conteúdo político e às propostas, ainda que resulte em uma comunicação menos acelerada do que a utilizada pelo adversário.
Um dos recursos utilizados pela campanha de ACM Neto foi a chamada “entrevista diamante”, que buscou apresentar um lado mais pessoal do candidato. O formato, porém, dividiu a atenção entre o conteúdo da entrevista e a própria construção da cena, especialmente em momentos de maior carga emocional. É um recurso que pode funcionar para determinados públicos, mas também está sujeito a avaliações distintas sobre o grau de espontaneidade transmitido.
No campo do discurso, as duas campanhas também adotaram caminhos diferentes. Jerônimo procurou associar sua candidatura às entregas realizadas durante a atual gestão, utilizando imagens de obras, escolas e equipamentos públicos para sustentar a narrativa de continuidade. ACM Neto, por sua vez, concentrou parte de sua comunicação na apresentação de problemas e na defesa de mudanças na condução do governo estadual.
Esse contraste deve ganhar importância ao longo da campanha. Para Jerônimo, será necessário transformar as realizações apresentadas em argumentos capazes de convencer o eleitor de que a continuidade é o melhor caminho. Para ACM Neto, o desafio será utilizar o maior tempo de televisão para apresentar propostas de mudança de maneira clara e competitiva.
Na estreia, portanto, não há apenas uma disputa por tempo, mas também por atenção, identificação e capacidade de transmitir uma mensagem. Jerônimo explorou uma linguagem mais dinâmica e próxima das redes, enquanto ACM Neto teve mais espaço para desenvolver seu discurso e apresentar sua visão de governo.



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