Moradores denunciam esgoto em nascente de Brotas e pedem proteção da Fonte do Governo
A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira (23), por meio de uma carta entregue a candidata a deputada federal Maria Marighella

Moradores da Fonte do Governo, área verde de preservação com nascentes localizada na região de divisa entre os bairros de Brotas e o Candeal, em Salvador, acionaram a candidata a candidata a deputada federal Maria Marighella (PT) para pedir apoio na proteção da área após um vazamento de esgoto atingir uma nascente na região.
A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira (23), por meio de uma carta entregue à candidata durante visita à comunidade.
Segundo os moradores, o vazamento teria ocorrido após o início das obras do Loteamento Reserva Cidade Jardim e estaria atingindo a Nascente/Riacho Nossa Senhora de Brotas. A comunidade teme que a contaminação interfira em futuras análises sobre os recursos hídricos existentes no local.
Comunidade cobra investigação sobre vazamento
O empreendimento está interditado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). De acordo com os moradores, há registros anteriores produzidos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), pelo Inema e pela própria comunidade que documentariam as condições da área antes do vazamento.
Na carta, os moradores pedem que a origem do esgoto seja identificada e que o Inema seja informado de que a contaminação teria ocorrido posteriormente às análises já realizadas. O material reunido pela comunidade também deve ser encaminhado ao órgão ambiental.
Empreendimento interditado pelo Inema
A área é alvo de questionamentos ambientais desde o início do ano. Em março, o MP-BA apontou possíveis intervenções próximas a nascentes e cursos d’água. Na mesma época, o Inema interditou as obras após fiscalização que, segundo o órgão, identificou interferências em recursos hídricos e irregularidades relacionadas à supressão de vegetação. Uma inspeção técnica da UFBA também apontou a existência de nascentes e cursos d’água no terreno.
A empresa responsável pelo empreendimento contesta as alegações sobre a existência de nascentes e afirma que o loteamento está regularizado junto aos órgãos municipais.
Os moradores também questionam autorizações concedidas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), incluindo alvará de terraplenagem, autorização para supressão de vegetação e dispensa de licenciamento ambiental. Segundo denúncia apresentada anteriormente na Câmara Municipal, a autorização para supressão seria específica para 181 plantas, mas as intervenções teriam ultrapassado o limite autorizado.
Durante a visita, Maria Marighella afirmou que pretende apoiar os encaminhamentos apresentados pela comunidade. “Estamos falando de água, de mata, mas também da história e da vida de uma comunidade. Quando uma comunidade nos chama e diz que aquilo que ela protege há décadas está ameaçado, o poder público e quem ocupa espaços políticos têm a obrigação de ouvir, olhar de perto e agir”, declarou.
“Proteção do patrimônio cultural”
Além das questões ambientais, os moradores pediram apoio para ações de preservação cultural. Entre as reivindicações estão a atuação junto ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), devido à proximidade com a Igreja de Nossa Senhora de Brotas, e o pedido ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para reconhecimento da nascente, da mata e da grota da Fonte do Governo como paisagem cultural.
Maria também defendeu a realização de atividades culturais na região como forma de ampliar a visibilidade da mobilização. A proposta inclui ações envolvendo capoeira, samba, slam, grafite e poesia.
“Preservar esse lugar também é preservar memória, cultura e pertencimento. A cultura tem essa capacidade de fazer a cidade olhar para um território, reconhecer o seu valor e entender que aquilo também lhe pertence”, afirmou.



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