Monitoria acadêmica vira trunfo contra “apagão de professores” no Brasil

Iniciativa do Instituto YDUQS capacita 80 estudantes-monitores em 12 estados e impulsiona a alfabetização de adultos no país

Bahia
Monitoria acadêmica vira trunfo contra “apagão de professores” no Brasil
Crédito Divulgação

Diante de projeções do Instituto Semesp que apontam um potencial déficit de até 235 mil professores na Educação Básica no Brasil até 2040, programas de monitoria prática têm ganhado espaço na formação inicial de licenciandos. O cenário de retração é reforçado por dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, que mostram que apenas 14,7% dos ingressantes em cursos de licenciatura estavam no grupo de melhor desempenho no Enem.

Para mitigar a lacuna na preparação profissional, o Instituto YDUQS mantém o programa Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos, mobilizando 80 estudantes-monitores em 21 unidades de ensino superior distribuídas por 12 estados. O projeto já atendeu mais de 520 alunos-monitores ao longo de suas edições, oferecendo suporte direto a cerca de 500 adultos em fase de alfabetização.

A estudante de Pedagogia Giovana Castro, de 23 anos, atua como monitora na iniciativa e relata a importância da experiência em sua trajetória acadêmica:

“Estar no programa é uma oportunidade muito única e me permitiu conhecer a pedagogia na prática desde a graduação. Além de contribuir para a aprendizagem dos alunos, eu também cresço profissionalmente a cada encontro e reforço a certeza de que escolhi a profissão certa”, destaca Giovana.

Experiências de monitoria também demonstram impacto no desenvolvimento de competências de liderança a longo prazo. É o caso de Samuel Barros, atual executivo do Ibmec, que iniciou sua trajetória na instituição como monitor acadêmico:

“A monitoria foi uma das experiências mais marcantes da minha formação. Foi ali que desenvolvi competências que me acompanham até hoje, como a capacidade de ensinar, ouvir, liderar e trabalhar em equipe. Muitas vezes, os alunos enxergam a monitoria como uma atividade complementar, mas ela pode ser o início de uma trajetória profissional transformadora”, afirma Samuel Barros.

A pró-reitora de Pesquisa, Extensão e Internacionalização de instituição vinculada à rede Wyden, Lucyane Mendes Silva, avalia que o modelo fortalece a docência sem substituir a figura do professor responsável:

“É uma experiência que estimula a troca de conhecimentos, a colaboração entre pares e o desenvolvimento de competências fundamentais para a atuação profissional. Ao apoiar outros alunos, o monitor também fortalece o próprio aprendizado, revisita conceitos, amplia sua capacidade de comunicação e desenvolve habilidades de liderança e responsabilidade”, conclui a pró-reitora.

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