Meu filho fala pouco: conheça 4 sinais que merecem atenção e saiba quando procurar ajuda
Especialista explica os marcos do desenvolvimento da linguagem, destaca a importância da intervenção precoce e orienta famílias sobre quando buscar ajuda profissional

O atraso na fala infantil é uma preocupação comum entre pais e responsáveis, especialmente quando a criança demora a pronunciar as primeiras palavras ou apresenta dificuldades para se comunicar. Apesar de o desenvolvimento ocorrer em ritmos diferentes, especialistas alertam que existem marcos importantes que precisam ser observados durante os primeiros anos de vida.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), as primeiras palavras geralmente aparecem entre os 12 e 18 meses. Já entre os 18 e 24 meses, é comum ocorrer a chamada “explosão do vocabulário”, período marcado pela ampliação significativa das palavras utilizadas pela criança.
Quando esses avanços não acontecem conforme o esperado, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar possíveis dificuldades e orientar as famílias sobre as melhores estratégias de estimulação.
A atenção é necessária porque o desenvolvimento da linguagem está diretamente relacionado às habilidades cognitivas, emocionais e sociais. Sem acompanhamento adequado, algumas dificuldades podem persistir durante a adolescência e até a vida adulta, comprometendo a aprendizagem e as relações interpessoais.
Participação da família é fundamental para estimular a fala
A fonoaudióloga Tatiane Chagas, especialista em Neurodesenvolvimento Infantil e Neurociência da Aprendizagem, fundadora e CEO da Estímulos Desenvolvimento Infantil, destaca que a participação dos familiares é um dos principais fatores para favorecer os resultados do acompanhamento terapêutico.
Segundo a profissional, pesquisas científicas demonstram que estimular a comunicação em atividades cotidianas contribui para o desenvolvimento da linguagem.
“O envolvimento da família é parte do tratamento. Quando os pais aprendem a transformar o banho, a refeição e a brincadeira em oportunidades de comunicação, a criança pratica o que aprendeu na terapia todos os dias, e não só nos minutos da sessão”, acrescenta.
Entre as estratégias utilizadas estão a identificação e a nomeação de objetos, a ampliação das palavras pronunciadas pela criança, a leitura interativa de livros e as respostas às tentativas de comunicação.
As brincadeiras também desempenham um papel importante nesse processo. Atividades que envolvem imaginação e faz de conta ajudam a desenvolver habilidades relacionadas à construção de narrativas e à expressão verbal.
Por esse motivo, recursos lúdicos costumam integrar as sessões de fonoaudiologia infantil.
Atraso na fala e autismo: por que a avaliação precoce é importante?
Em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o acompanhamento do desenvolvimento da comunicação merece atenção especial. Entretanto, é importante destacar que o atraso na fala, isoladamente, não significa que a criança tenha autismo.
A especialista reforça que esperar pela melhora espontânea pode atrasar o início de intervenções importantes.
“Esperar ‘para ver se passa’ custa tempo, e tempo, nos primeiros anos, é o recurso mais precioso do desenvolvimento. A avaliação não rotula a criança, ela mostra do que ela precisa e como a família pode ajudar”, esclarece Tatiane Chagas.
Outra condição que pode comprometer a comunicação é a apraxia de fala na infância, um transtorno motor que afeta o planejamento e a programação dos movimentos necessários para produzir os sons da fala.
Nessas situações, a fonoaudióloga menciona abordagens terapêuticas como DTTC, PROMPT e ReST, utilizadas internacionalmente. A escolha do método depende das necessidades identificadas na avaliação individual.
Recursos de comunicação aumentativa e alternativa também podem ser incorporados ao tratamento para ampliar as possibilidades de expressão da criança.
Além da família e dos profissionais de saúde, a escola possui papel relevante. Professores capacitados podem perceber dificuldades de comunicação no ambiente escolar e orientar os responsáveis sobre a necessidade de avaliação especializada.
Quando procurar um fonoaudiólogo? Veja os principais sinais de alerta
Segundo Tatiane Chagas, alguns comportamentos e dificuldades devem motivar a busca por orientação profissional.
Entre os principais sinais estão:
- Aos 2 anos: quando a criança ainda não fala ou utiliza pouquíssimas palavras;
- Aos 4 anos: quando outras pessoas apresentam dificuldade frequente para compreender o que a criança diz;
- Gagueira: especialmente quando acompanhada de esforço, tensão muscular ou movimentos associados;
- Pouca interação: quando a criança demonstra pouco interesse por brinquedos, outras crianças ou apresenta dificuldades para apontar, estabelecer contato visual e responder ao ambiente.
A avaliação fonoaudiológica também é recomendada quando existem condições associadas, como síndromes genéticas, deficiência intelectual, alterações neurológicas ou deficiências auditivas e visuais.
A profissional ressalta que a procura por atendimento não deve depender da identificação prévia de uma causa específica.
Intervenção precoce pode evitar dificuldades futuras
Buscar acompanhamento fonoaudiológico não significa necessariamente receber um diagnóstico. A avaliação permite compreender o estágio de desenvolvimento da criança, identificar suas necessidades e estabelecer estratégias adequadas de estimulação.
Quando iniciadas precocemente, as intervenções podem proporcionar avanços importantes na comunicação, embora os resultados variem conforme as características e necessidades de cada criança.
Para Tatiane Chagas, o principal conselho é não ignorar sinais persistentes de dificuldade.
“observe, compare com os marcos esperados e, diante de dúvida, busque avaliação sem esperar. Cada criança tem o seu ritmo, mas ritmo é diferente de ausência de comunicação. Se a criança não usa palavras, gestos ou o olhar para se conectar, vale procurar um fonoaudiólogo sem esperar”.
A orientação reforça que observar os marcos do desenvolvimento e procurar ajuda diante de dúvidas são atitudes fundamentais para oferecer à criança melhores oportunidades de comunicação, aprendizagem e interação social.



Comentários: