Ligia Callaz lança audiovisual de “Amores Pandêmicos” no Dia da Visibilidade Lésbica
Projeto reúne seis canções inspiradas em histórias, afetos e experiências de mulheres durante a pandemia e chega ao YouTube neste sábado

A cantora e compositora baiana Ligia Callaz lança neste sábado (29) o audiovisual do EP “Amores Pandêmicos”, em seu canal no YouTube. A data coincide com o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica.
Com seis canções, o projeto aborda o amor entre mulheres, afetos, lutos e os desafios enfrentados durante o período de isolamento provocado pela pandemia de Covid-19. Natural de Buerarema, no Sul da Bahia, Ligia mistura referências da MPB, Jazz e Indie/Folk.
Segundo a artista, as músicas foram inspiradas em histórias que ouviu, vivenciou e acompanhou entre 2020 e 2023.
“Neste trabalho, trago histórias de mulheres que ouvi, vi e vivi durante o período da pandemia, entre os anos de 2020 e 2023. Na camiseta [presente na capa do projeto], está estampado um número escrito em algarismo romano, fazendo referência à quantidade de pessoas que morreram de Covid aqui no Brasil. Foram 716.626 amores que partiram”, explica Ligia.
O EP também carrega experiências pessoais da cantora, que perdeu o primo Giano e o tio Valmon Mendes durante a pandemia.
Entre as faixas estão “Encontro”, sobre descobertas e reencontros; “Pele”, que aborda confiança, prazer e conexão; “Lambendo as Pedras”, inspirada na observação do mar; “Pura Conexão”, escrita enquanto Ligia enfrentava a Covid-19; “Presente de Iemanjá”, marcada pela espiritualidade; e “Cantar Mundo”, construída coletivamente por mulheres.
Participação feminina
O projeto conta com a participação da companheira de Ligia, a musicoterapeuta e compositora Júlia Neves, além das cantautoras Laiô, Luana Carla, Ize Duque e Màja. A última faixa também reúne um coro formado por outras 30 mulheres.
“Esse trabalho foi cercado, desde sempre, por muitas mulheres, nem todas do universo LGBT. Primeiro minha mãe, depois amigas e parceiras de composição. Lembra aquela história de ninguém solta a mão de ninguém? Aí, na última faixa, “Cantar Mundo”, como uma forma de homenageá-las, convidei mais 6 “cantautoras” da região para dividirem a faixa comigo e outras 30 mulheres para formarem um coro. Foi uma experiência incrível. A união dessas mulheres, o amor e a entrega envolvidos nesse trabalho são de uma expressão fortíssima de cumplicidade, parceria e apoio. E todas nós nos sentimos muito felizes com o resultado”.
Ligia também relaciona o trabalho à própria trajetória como mulher lésbica e às dificuldades enfrentadas durante o processo de aceitação.
“Eu vivi várias fases de aceitação e de vivência de minha sexualidade e todas bem difíceis. Ser lésbica no interior tem um grande peso, ainda mais no Brasil, onde as mulheres sofrem tanta violência. É algo bastante perturbador que as pessoas esperem e cobrem de você um comportamento preestabelecido, a partir da desqualificação e demonização de quem você é. Levei um tempo pra me livrar disso internamente e de me sentir confortável na minha pele. E sei que muita mulher ainda passa por isso”.



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