Julho das Pretas leva arte e debate sobre protagonismo negro ao Centro Cultural Barra do Pojuca

Encontro promovido no Centro Cultural Barra do Pojuca integrou o projeto "Nosso Mês: Preta, Preta, Pretinha!" e destacou o papel da cultura no fortalecimento da identidade das mulheres negras

Bahia
Julho das Pretas leva arte e debate sobre protagonismo negro ao Centro Cultural Barra do Pojuca
Foto: Juliano Sarraf

A programação do Julho das Pretas 2026, promovida pela Secretaria de Cultura de Camaçari (Secult), realizou nesta quinta-feira (24) mais uma atividade voltada ao fortalecimento da identidade e do protagonismo das mulheres negras. A iniciativa “Protagonismo Negro”, realizada no Centro Cultural Barra do Pojuca (CCBP), reuniu participantes para um diálogo sobre representatividade, pertencimento e letramento racial por meio da arte.

A atividade fez parte do projeto “Nosso Mês: Preta, Preta, Pretinha!” e foi conduzida pela bailarina, professora de dança do ventre e produtora cultural Ângela Cheirosa.

“A ideia foi promover o letramento racial, fazendo esse recorte para destacar a diferença entre o que é ser mulher e o que é ser uma mulher negra, reforçando a importância do 25 de julho como uma data de resistência, empoderamento e de reflexão sobre as nossas necessidades. Esta é uma ação de integração com a comunidade, voltada para estabelecer um diálogo aberto e também de celebração”, pontuou.

As participantes compartilharam experiências e ressaltaram a importância de espaços voltados ao debate sobre racismo, direitos e fortalecimento feminino.

A dona de casa Andréa Oliveira, de 41 anos, destacou o impacto da iniciativa. “O Julho das Pretas é um momento muito importante. Aqui, cada uma pôde contar um pouco da sua história, porque todas têm alguma experiência de racismo que já vivenciaram”, afirmou.

Moradora de Itacimirim, a empreendedora Eugenia Carvalho, de 56 anos, também enfatizou a relevância do encontro. “É um tema muito importante, que fortalece o posicionamento da mulher, pois ela precisa estar em evidência, em contato com outras mulheres e discutindo as pautas femininas. É fundamental vermos mulheres empoderadas, que acompanham o desenvolvimento das outras mulheres”, disse.

Já a jornalista Claudia Correia, de 64 anos, aluna do curso de canto coral do CCBP, ressaltou o papel da atividade na promoção do diálogo e da reflexão.

“Especialmente em uma data que tem um significado extraordinário para pensarmos as relações raciais no nosso país, sobretudo o papel das mulheres negras no empoderamento, na ocupação de espaços e no direito a uma vida digna. Pensar novas formas de convivência, com respeito às diferenças, também faz parte desse processo. É um espaço de troca”, avaliou.

A gestora do Centro Cultural Barra do Pojuca, Rosani Souza de Oliveira, explicou que a programação busca ampliar as referências positivas para meninas e mulheres negras da comunidade.

“A maior parte da nossa comunidade é formada por mulheres e meninas negras. Por isso, o nosso principal intuito é trazer mulheres negras que são referência para servir de inspiração e mostrar que elas também podem ocupar posições de destaque. Além da programação, ao longo do mês, temos realizado outras atividades, como oficinas de pintura com imagens de pessoas negras para colorir e rodas de capoeira”.

Programação continua na próxima semana

As atividades do projeto “Nosso Mês: Preta, Preta, Pretinha!” prosseguem na segunda-feira (27), com apresentação de balé conduzida pela professora Débora Santana e exibição do documentário “Tudo a Ver – A História de Mercedes Baptista”, que retrata a trajetória da primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e referência na valorização da cultura negra brasileira.

A programação será realizada em dois horários: das 9h30 às 11h30 e das 14h às 16h.

Na terça-feira (28), a mesma atividade será apresentada às 14h, na Pracinha da Cultura, localizada no bairro Tancredo Neves (Phoc III).

Agenda do Julho das Pretas em Camaçari

A Secult segue promovendo uma série de ações durante o Julho das Pretas 2026, iniciativa que utiliza a cultura como ferramenta de preservação da memória, fortalecimento das identidades e incentivo ao diálogo sobre igualdade racial.

Entre os próximos destaques está o projeto “Dance com Cheirosa”, marcado para o sábado (25), às 15h, no foyer do Teatro Cidade do Saber (TCS). O encontro reunirá mulheres negras de diferentes áreas para debater representatividade, liderança, mercado de trabalho, ocupação de espaços de poder e enfrentamento ao racismo.

O calendário será encerrado no dia 31 de julho, às 18h30, com a primeira edição do Prêmio Dandaras de Abrantes 2026, no Teatro Tupinambá, localizado no Colégio de Tempo Integral Vila de Abrantes. A homenagem reconhecerá mulheres negras que contribuem para a preservação da cultura, da memória, da identidade e para o desenvolvimento social das comunidades de Camaçari.

Ao longo do mês, a programação também contou com a caminhada “Nossos Direitos, Nossas Coroas”, promovida pelo Coletivo de Mulheres Negras Zacimba Gaba, além de uma roda de conversa realizada na Pracinha da Cultura sobre a importância histórica das mulheres negras na formação da sociedade brasileira.

Criado em 2013, o Julho das Pretas celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. No Brasil, a data também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, reforçando a luta contra o racismo, o sexismo e outras formas de discriminação, além de valorizar a contribuição histórica, social, cultural e política das mulheres negras.

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