Jaques Wagner deixa liderança do governo após reunião com Lula; veja quem pode assumir o cargo

Senador baiano anunciou saída da função em comum acordo com o presidente após operação da Polícia Federal

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Jaques Wagner deixa liderança do governo após reunião com Lula; veja quem pode assumir o cargo
Agência Senado/ Andressa Anholete

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira, 24, que deixará a liderança do governo no Senado. A decisão foi tomada em comum acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante reunião realizada ao longo da tarde.

A saída ocorre poucos dias após o parlamentar ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

Decisão foi comunicada nas redes sociais

Ao anunciar a saída, Wagner afirmou que pretende concentrar esforços na defesa das acusações e nos projetos eleitorais do grupo político ao qual pertence.

“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil”, publicou.

Desde o cumprimento dos mandados, cresceu nos bastidores a pressão para que o ex-governador da Bahia deixasse a função. Aliados avaliavam que a repercussão do caso poderia gerar desgaste político para o governo federal.

Defesa tenta anular decisão do STF

Na última segunda-feira, 22, a defesa do senador acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a anulação da decisão do ministro André Mendonça que autorizou as buscas.

Em nota, os advogados afirmaram existir “erros graves” na decisão judicial e sustentaram que Jaques Wagner nunca atuou no Congresso para beneficiar o Banco Master.

A defesa também alegou que os valores apreendidos possuem origem legal e documentada. Segundo os advogados, parte do dinheiro seria proveniente de diárias recebidas em viagens oficiais ao exterior e outra parte teria sido obtida por meio de operações financeiras regularmente registradas.

O que investiga a Polícia Federal

As investigações apuram suspeitas de que gestores do Banco Master teriam concedido vantagens indevidas ao senador em troca de influência política.

Entre os elementos analisados pela PF está a compra de um apartamento no empreendimento de luxo Poème Horto, avaliado em R$ 2,5 milhões.

Durante a operação, agentes apreenderam cerca de 55 mil dólares, aproximadamente R$ 284,1 mil, além de 33 mil euros, equivalentes a cerca de R$ 196,3 mil. Dois celulares do parlamentar também foram recolhidos.

Três nomes surgem como favoritos

A saída de Jaques Wagner abre espaço para a escolha de um novo líder do governo no Senado, cargo considerado um dos mais importantes da articulação política do Palácio do Planalto.

Inicialmente, o senador Otto Alencar (PSD-BA) era apontado como um dos nomes mais fortes para assumir a função. No entanto, segundo informações da CNN Brasil, o governo avalia que sua permanência na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) seria mais estratégica.

Com isso, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), atual líder do PT no Senado, passou a ser uma das principais cotadas para o cargo.

Outro nome citado nos bastidores é o do senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE).

Também existe a possibilidade de Lula indicar um parlamentar de um partido de centro, em uma tentativa de ampliar a interlocução com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

PT tem poucas opções disponíveis

Caso o presidente opte por manter a liderança nas mãos de um integrante do PT, o leque de alternativas é considerado reduzido.

Dos nove senadores da bancada, cinco devem disputar a reeleição, o que pode dificultar a dedicação integral à articulação política do governo. Além disso, o senador Paulo Paim deixará o Senado ao final do atual mandato.

Nesse cenário, Teresa Leitão, Beto Faro e Camilo Santana aparecem entre os nomes mais viáveis dentro da legenda.

Apesar de ser visto como um nome forte, Camilo já atua na coordenação das articulações políticas da campanha de Lula no Nordeste, o que pode influenciar a decisão final do Palácio do Planalto.

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