Ivana Bastos comanda transferência histórica da ALBA para Cachoeira e defende força feminina no Recôncavo

Solenidade integra o calendário oficial que celebra o início das lutas pela consolidação da Independência do Brasil na Bahia

Política
Ivana Bastos comanda transferência histórica da ALBA para Cachoeira e defende força feminina no Recôncavo

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) registrou um marco histórico nesta quinta-feira (25) ao hastear, pela primeira vez, sua bandeira oficial nas comemorações cívicas de Cachoeira, data em que a capital do estado é provisoriamente transferida para o município do Recôncavo Baiano. O ato simbólico e institucional foi liderado pela deputada Ivana Bastos (PSD), primeira mulher a presidir o Poder Legislativo estadual na história da Bahia. A solenidade, respaldada pelo Ato nº 041/2026 aprovado em plenário, integra o calendário oficial que celebra o início das lutas pela consolidação da Independência do Brasil na Bahia, deflagradas na região em 25 de junho de 1822 após a reação popular contra a opressão das forças militares da coroa portuguesa.

Durante a sessão solene realizada na Câmara Municipal de Cachoeira, a ALBA e o Parlamento municipal firmaram um Acordo de Cooperação Técnica inédito. O dispositivo jurídico visa estreitar os laços institucionais por meio do intercâmbio de tecnologias legislativas, capacitação de servidores e formatação de canais integrados de comunicação, descentralizando a atuação da Casa legislativa para além do palácio na capital. No mesmo evento, Ivana Bastos foi condecorada com o Título de Cidadã de Cachoeira, honraria também concedida a outras autoridades de destaque na estrutura do estado, como o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargador José Edivaldo Rotondano, o chefe do Ministério Público Estadual, Pedro Maia, e o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro.

O ato de 2026 consolidou uma união inédita entre os Três Poderes do Estado e o Ministério Público na “Cidade Heroica”. Enquanto o Poder Executivo cumpre o rito de transferência desde 2008 — instituído pela Lei Estadual nº 10.695/2007, de autoria da então deputada Lídice da Matta —, o Judiciário aderiu formalmente à mudança temporária de sede neste ano por meio do Decreto Judiciário nº 540. O resgate histórico do 25 de Junho rememora o dia em que a junta governativa e a população cachoeirana aclamaram Dom Pedro como regente constitucional do Brasil. O levante resultou no bombardeio da cidade por uma escuna lusitana fundeada no Rio Paraguaçu, deflagrando o conflito armado que culminaria na vitória definitiva do Exército Pacificador no dia 2 de julho de 1823.

“A participação da Assembleia é muito importante e representa o reconhecimento do Legislativo da importância de Cachoeira e do Recôncavo para a consolidação da independência do Brasil na Bahia. A Assembleia foi a Cachoeira porque sabe que sua força nasce do povo. A ALBA não pertence somente ao edifício onde funciona, em Salvador; ela pertence aos territórios, ao sertão, ao oeste, ao litoral, às comunidades tradicionais, aos trabalhadores, à juventude e às mulheres que constroem a Bahia todos os dias. É um gesto grandioso”, discursaram a presidente Ivana Bastos e o governador Jerônimo Rodrigues, ao celebrarem a capilaridade das instituições estaduais.

“Muitas mulheres não tiveram estátuas ou seus nomes nos livros, mas a Independência também passou por suas mãos. E reverenciamos as mulheres de hoje. Aqui em Cachoeira, a prefeita Eliana Gonzaga, primeira mulher negra eleita para comandar este município, enfrentou ataques, ameaças, racismo e violência política”, assinalou a chefe do Legislativo baiano, ao reverenciar as heroínas históricas Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa, traçando um paralelo direto com as lutas institucionais e de gênero travadas na política contemporânea da região.

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