Greve de ônibus em Salvador? Rodoviários endurecem discurso e cidade pode parar nos próximos dias
Categoria fará nova assembleia antes de reunião com empresários e ameaça ampliar protestos na capital

A tensão entre rodoviários e empresários do transporte público voltou a crescer em Salvador. Em meio ao impasse da campanha salarial de 2026, a categoria terá uma nova rodada de negociação na próxima sexta-feira (15), mas já ameaça ampliar as mobilizações caso não haja avanço nas conversas.
O encontro será mediado pela Superintendência Regional do Trabalho e acontece após uma sequência de protestos realizados pelos trabalhadores na capital baiana.
Segundo o sindicato, a reunião discutirá pontos considerados centrais pela categoria, como reajuste salarial, alimentação e mudanças na jornada de trabalho.
“Seguimos firmes, com diálogo, mobilização e responsabilidade, buscando avanços concretos para a categoria rodoviária”, afirmou a entidade em nota.
Assembleia vai definir próximos passos
Antes do encontro com os empresários, os trabalhadores participam de uma Assembleia Geral Extraordinária marcada para quinta-feira (14), na sede do sindicato, no bairro de Brotas.
A reunião acontecerá em dois horários: às 9h30 e às 15h30.
De acordo com o sindicato, o encontro será decisivo para definir os próximos movimentos da campanha salarial.
“O patrão segue sem avançar nas negociações e a categoria irá decidir os próximos passos da luta”, informou a entidade.
Greve já começou a ser debatida
Com as negociações travadas desde o fim de março, representantes da categoria já falam abertamente sobre a possibilidade de greve.
O diretor do sindicato, Daniel Mota, afirmou que a ausência de diálogo entre empresários e prefeitura aumentou a preocupação dos trabalhadores.
“Não está existindo conversa nenhuma. Isso preocupa muito e dá sinais de que pode caminhar para uma greve”, declarou, em entrevista ao portal A TARDE.
Segundo ele, caso o cenário continue sem avanços, os protestos podem se tornar ainda mais impactantes nos próximos dias.
“Se não chamar para negociar, vamos ter que pensar em algo mais forte, mais impactante, como parar praticamente toda a cidade ou avançar para uma greve geral”, disse.
Categoria pede reajuste acima da inflação
Entre as principais reivindicações dos rodoviários está um reajuste salarial com ganho real de 5% acima da inflação.
A campanha salarial também inclui pedidos ligados às condições de trabalho e benefícios da categoria.
Os trabalhadores defendem:
- reposição da inflação com 5% de aumento real;
- elevação do ticket alimentação de R$ 28 para R$ 35;
- ampliação de 26 para 30 tickets mensais;
- redução da jornada diária para seis horas;
- revisão da chamada “carta horária”;
- melhorias nas condições de trabalho.
Atualmente, a jornada da categoria é de sete horas por dia, mas o sindicato afirma que o modelo atual tem provocado desgaste físico e mental nos trabalhadores.
“A escala está adoecendo os trabalhadores. Os motoristas passam horas sob pressão, no calor, no trânsito pesado e ainda fazendo hora extra praticamente todos os finais de semana”, afirmou Daniel Mota.
Protestos já afetaram circulação de ônibus
Desde o início da campanha salarial, os rodoviários vêm promovendo atos que impactaram diretamente o transporte público em Salvador.
Na última semana, a categoria realizou a chamada “Operação Tartaruga”, reduzindo a velocidade dos coletivos e ampliando as paradas em pontos de ônibus.
Outra mobilização promovida foi a ação “Todos os ônibus na faixa da direita”, que provocou congestionamentos em diferentes regiões da cidade.
Além das questões salariais, os trabalhadores também cobram:
- gratuidade nos transportes;
- estabilidade pré-aposentadoria;
- turnos fixos e troca de linha;
- gratificação em grandes eventos;
- prêmio de assiduidade;
- complemento do plano de saúde;
- implantação de PLR e day off.
Sindicato reclama de falta de proposta
Segundo o sindicato, quatro reuniões já foram realizadas desde o início das negociações, mas os empresários ainda não apresentaram uma contraproposta oficial.
“A gente já apresentou a pauta. Nem sequer chamaram para conversar. Isso nunca aconteceu dessa forma”, afirmou Daniel Mota.



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