Florescer Atípico: Seduc promove formação e anuncia investimentos na educação inclusiva
Evento reúne educadores e famílias e fortalece práticas pedagógicas inclusivas com foco em acessibilidade e inovação

Com foco na ampliação da educação inclusiva, a Secretaria de Educação de Camaçari (Seduc) promoveu, nesta terça-feira (24), o Seminário Florescer Atípico e Diverso: Políticas Públicas, Percursos e Práticas Inclusivas. Durante o encontro, também foi anunciado o investimento de R$ 2 milhões na aquisição e início da distribuição de equipamentos de tecnologia assistiva para unidades da rede municipal.
A iniciativa integra o Projeto Florescer Atípico, desenvolvido pela Coordenadoria de Educação Especial e Inclusiva (CEEI), e é voltada a gestores, professores e famílias atípicas. O objetivo é fortalecer práticas pedagógicas mais acessíveis, humanizadas e alinhadas à legislação vigente.
Na abertura do seminário, o secretário de Educação, Márcio Neves, destacou a importância de incluir a educação especial no planejamento orçamentário. “Incluir também é priorizar a educação especial inclusiva no orçamento da Secretaria de Educação, e é dentro dessa condição que conseguimos comprar o material escolar para os meninos atípicos, que é um material diferenciado, adaptado, adequado, respeitoso a cada condição de estudante”, afirmou.
A palestra magna foi conduzida pela professora Susana Couto Pimentel, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), pesquisadora na área de inclusão e tecnologia assistiva. Durante sua apresentação, ela ressaltou a necessidade de adaptação dos espaços educacionais. “A gente pensa em inclusão não como a necessidade da pessoa ter que se adequar ao espaço, mas no movimento diferente, do espaço se organizar ou se reorganizar para que essa pessoa esteja inserida. Precisa ter uma readequação inicial no projeto político, pedagógico, prevendo os processos de inclusão, precisa pensar em mudanças de atitudes nesse espaço, voltadas às pessoas que estão sendo incluídas e que sejam anticapacitistas”, disse.
Os equipamentos adquiridos foram apresentados no local do evento e serão distribuídos em nove unidades com Salas de Recursos Multifuncionais, localizadas na sede e nos distritos de Abrantes e Monte Gordo. Entre os itens estão digitalizadores, leitores e ampliadores de texto, materiais para alfabetização em Braille, lupas eletrônicas, máquinas de relevos táteis e máquinas de escrever em Braille.
O seminário também marca o início das atividades formativas do projeto em 2026. A coordenadora do CEEI, Elvira Laporte, informou a ampliação da estrutura de atendimento. “Além das nove unidades de salas de recursos multifuncionais que entregamos no ano passado, já estamos com mais cinco para serem entregues em breve. Logo, logo, teremos mais recursos para o contraturno no sentido da complementaridade da educação dos nossos estudantes com deficiência. É importante dizer que as entregas desses materiais, que são inovadores e de alta tecnologia, é algo vanguardista na Região Metropolitana”, destacou.
A formação contou com a participação de educadores da rede, como a professora de ciências Luzair de Jesus, que ressaltou a relevância do debate. “É bastante importante porque é uma questão de pertencimento. É fundamental esse debate, conhecer, falar sobre habilidades que são diversas em cada um deles, a gente interagir, trazer para o nosso povo, acaba que aprendemos e ajudamos também”, afirmou.
A programação seguiu no período da tarde com a palestra “Práticas inclusivas no cotidiano escolar”, ministrada pelo professor João Danilo Batista, do Conselho Estadual de Educação. O evento também contou com apresentações culturais, incluindo o grupo de Capoeira Inclusiva da Apae, além de exposição artística com caricaturas produzidas por estudante da rede municipal e depoimentos de ex-alunos sobre inclusão educacional e experiências acadêmicas.



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