Fiocruz alerta sobre avanço de vírus respiratórios no Brasil

Dados mostram crescimento de infecções respiratórias, com destaque para rinovírus, Influenza A e vírus sincicial respiratório (VSR)

Brasil
Fiocruz alerta sobre avanço de vírus respiratórios no Brasil
Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Um boletim recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) acendeu o alerta para o avanço de síndromes gripais no Brasil. Segundo o documento divulgado neste mês, 18 estados e o Distrito Federal estão em situação de alerta, alto risco ou risco para casos graves da doença. Em pelo menos 13 dessas unidades federativas, a tendência é de aumento nas notificações nas próximas semanas.

Os dados analisados entre os dias 29 de março e 4 de abril mostram que o rinovírus lidera os casos positivos, com 40,8% — agente responsável pela maioria dos resfriados comuns. Na sequência aparecem a Influenza A (30,7%) e o vírus sincicial respiratório (VSR), com 19,9%.

De acordo com o Ministério da Saúde, o VSR é um vírus comum que afeta pessoas de todas as idades, mas representa maior risco para bebês, idosos e indivíduos com o sistema imunológico comprometido. A circulação do vírus tende a se intensificar em determinadas épocas do ano, podendo causar desde sintomas leves até quadros graves, como a síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

“O VSR é altamente contagioso e infecta o trato respiratório. É uma das principais causas de bronquiolite viral aguda em crianças menores de 2 anos e pode ser responsável por um número expressivo de internações”, alertou a pasta.

No início da semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso da vacina Arexvy, da Glaxosmithkline Brasil Ltda, para adultos a partir de 18 anos. Antes, o imunizante era indicado apenas para pessoas com 60 anos ou mais. Disponível na rede privada, a vacina protege contra doenças do trato respiratório inferior causadas pelo VSR.

“O vírus sincicial respiratório é importante agente etiológico de infecções respiratórias ao longo de toda a vida, podendo causar doenças do trato respiratório inferior, com impacto clínico relevante em adultos, especialmente na presença de comorbidades, além de representar risco aumentado de hospitalização e complicações respiratórias em faixas etárias mais avançadas”, avaliou a Anvisa.

“A ampliação da indicação para adultos a partir de 18 anos foi sustentada por estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa, que demonstraram não serem inferiores à resposta imune em adultos mais jovens, em comparação à população com mais de 60 anos”, completou.

Transmissão

O VSR é transmitido principalmente por gotículas respiratórias e pelo contato com secreções contaminadas. A infecção pode ocorrer quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala, além do contato direto com superfícies ou objetos contaminados.

Sintomas

Os sintomas iniciais costumam ser semelhantes aos de um resfriado comum, incluindo coriza, tosse, espirros, febre, congestão nasal e chiado no peito. Em casos mais graves, podem surgir dificuldade para respirar, perda de apetite, coloração azulada da pele e alterações no estado mental.

“Em bebês, o VSR pode causar bronquiolite viral aguda, caracterizada pela inflamação dos branquíolos, que são pequenas vias áreas dos pulmões”, destacou o ministério.

Grupos de risco

Entre os mais vulneráveis estão crianças menores de 2 anos (especialmente abaixo de 6 meses), bebês prematuros, pessoas com doenças crônicas, idosos e indivíduos imunossuprimidos.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é, na maioria dos casos, clínico. Em situações mais graves, exames laboratoriais podem confirmar a presença do vírus. Não há tratamento específico, sendo o manejo baseado em suporte clínico, como hidratação, controle da febre e, em casos severos, internação com uso de oxigênio.

Prevenção

Medidas simples podem reduzir o risco de contágio, como lavar as mãos com frequência, evitar contato com pessoas doentes, manter ambientes ventilados e higienizar superfícies.

“Para proteger bebês, é importante manter a vacinação e as consultas de rotina em dia, manter o aleitamento materno sempre que possível e evitar a exposição à fumaça de cigarro.”

Vacinação e proteção de bebês

O SUS oferece vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, garantindo proteção ao bebê nos primeiros meses de vida por meio da transferência de anticorpos.

Além disso, bebês com maior risco podem receber anticorpos monoclonais, como o palivizumabe. Um novo medicamento, o nirsevimabe, está sendo implementado e promete proteção mais prolongada com apenas uma dose.

“No SUS, o nirsevimabe será oferecido para bebês prematuros e crianças com algumas condições de saúde específicas, que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença causada pelo VSR, nascidos a partir de fevereiro de 2026”, informou a pasta.

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