EUA vs Venezuela: Risco para Copa 2026 e Olimpíadas 2028?
Especialistas alertam que intervenção militar americana na Venezuela gera dilema jurídico e esportivo, mas sanções a megaeventos como Copa 2026 e Olimpíadas 2028 são improváveis

O recente ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, provocou repercussões que vão além da política: o mundo do esporte também observa com preocupação, especialmente em relação à Copa do Mundo 2026 e às Olimpíadas de Los Angeles 2028.
Segundo especialistas, embora os estatutos da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional (COI) prevejam sanções em casos que violem normas internacionais de paz e direitos humanos, a aplicação prática de punições aos EUA é altamente improvável devido ao peso político e econômico do país.
“Em tese, uma intervenção militar unilateral poderia ser considerada incompatível com princípios de paz do esporte internacional, como aconteceu com a Rússia em 2022 e a África do Sul durante o apartheid. Na prática, porém, essas normas nunca foram aplicadas de forma neutra, sendo profundamente influenciadas por fatores políticos”, afirma ao Metrópoles, João Vitor Cândido, especialista em relações internacionais da Universidade Veiga de Almeida.
O conflito iniciado pelos EUA no sábado (3/1) foi justificado como uma ação contra o narcotráfico e a corrupção no regime de Maduro. No entanto, especialistas em direito internacional consideram a operação ilegal, violando a Carta das Nações Unidas, que proíbe ataques armados sem autorização do Conselho de Segurança ou legítima defesa.
Consequências esportivas
O impacto geopolítico respinga diretamente no esporte, já que os EUA co-sediam a Copa do Mundo 2026 com Canadá e México e receberão os Jogos Olímpicos de 2028. Qualquer sanção poderia comprometer não apenas a participação americana, mas também a realização desses megaeventos, gerando disputas bilionárias com patrocinadores, emissoras e federações.
Apesar de precedentes históricos — como a suspensão da Iugoslávia nos anos 1990 e da Rússia em 2022 —, analistas afirmam que sanções esportivas aos EUA são quase impossíveis. O país domina o mercado global do esporte, influenciando contratos, direitos de transmissão e logística de competições internacionais.
Precedentes de punição esportiva
Sanções esportivas por interferência governamental ou violações éticas já ocorreram, como no Afeganistão, sob o regime talibã, e na Guatemala, em 2022. No Afeganistão, a proibição de práticas esportivas femininas levou à suspensão do país dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000. Na Guatemala, a suspensão foi motivada por interferência judicial e política, com retorno provisório em 2024.
Segundo Cândido, a normalização de intervenções militares unilaterais representa risco à neutralidade política que o movimento olímpico afirma defender. “Qualquer justificativa legal seria altamente controversa e frágil, e sanções são politicamente improváveis”, conclui.



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