Estudo aponta que munições do Comando Vermelho foram desviadas do Exército e de órgãos de segurança

Um levantamento do Instituto Sou da Paz identificou munições de fuzil ligadas ao Comando Vermelho (CV) que haviam sido originalmente adquiridas pelo Exército Brasileiro e por outras instituições de segurança pública. Os dados apontam falhas no controle e no rastreamento desses materiais.
A pesquisa analisou 31.699 cartuchos relacionados à facção criminosa em 29 processos judiciais, entre 2018 e 2025. Do total de munições originais de fábrica examinadas para identificar a procedência, 40,9% eram de fabricação brasileira.
Entre os cartuchos nacionais, 51,9% apresentavam códigos de rastreabilidade institucional, indicando que haviam sido comprados por órgãos públicos antes de chegarem ao mercado ilegal.
O estudo também identificou dificuldades para determinar a origem exata das munições. Dos 119 códigos de rastreabilidade encontrados, apenas 34 foram associados às instituições compradoras. Nos outros 85 casos, não foi possível identificar o órgão responsável pela aquisição.
Segundo os pesquisadores, as falhas nos registros e a falta de continuidade das investigações dificultam a identificação dos responsáveis pelos desvios.
O levantamento destaca ainda a importância de intensificar a fiscalização e o rastreamento das munições apreendidas. Entre as medidas propostas estão a melhoria dos registros eletrônicos de estoque, a padronização dos laudos periciais e a investigação sistemática dos códigos identificados nas apreensões.
O Instituto Sou da Paz ressalta que os dados disponíveis não permitem apontar qual instituição pública teria contribuído mais para o abastecimento da facção. A pesquisa defende o fortalecimento dos mecanismos de controle para dificultar o acesso do crime organizado a munições.



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