Educação política pode começar na infância; veja como escola pode abordar o tema
Especialista defende que formação cidadã deve acompanhar o desenvolvimento de crianças e adolescentes, com conteúdos adequados a cada idade

A educação política pode começar ainda na infância, antes da idade em que o voto passa a ser obrigatório. Pela Constituição Federal, o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para maiores de 18 anos, enquanto são facultativos para analfabetos, maiores de 70 e jovens de 16 e 17 anos.
Para a docente do curso de Direito da Estácio e mestre em Educação, Carina Artêncio, a formação para a cidadania pode ser construída desde os primeiros anos escolares por meio de experiências de convivência, diálogo, respeito e participação.
Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, situações simples, como votações para escolher uma atividade ou um livro, podem ajudar as crianças a compreender decisões coletivas e o respeito a opiniões diferentes. A BNCC também estabelece competências relacionadas à cidadania, ao diálogo, à argumentação, à empatia e à participação responsável.
Nos anos finais do Ensino Fundamental, temas como direitos, deveres, instituições públicas e divisão dos Poderes podem ser aprofundados. Já no Ensino Médio, o debate pode incluir sistemas eleitorais, partidos políticos, políticas públicas e participação popular, com atividades como debates e eleições simuladas.
“Iniciar a educação para a cidadania na infância solidifica valores fundamentais para a vida em comunidade”, destaca Carina.
Educação política e redes sociais
A especialista também aponta a importância de preparar os jovens para lidar com informações políticas nas redes sociais. Entre as práticas estão verificar a origem de conteúdos, conferir datas e autores, consultar fontes oficiais e diferenciar fatos de opiniões.
A proposta é que a escola trabalhe conceitos ligados à Constituição, ao Estado Democrático de Direito e aos direitos fundamentais sem transformar o ambiente escolar em espaço de promoção de candidatos ou partidos. As Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos também relacionam a educação à formação para a cidadania, ao respeito à pluralidade e aos direitos fundamentais.
Famílias e educadores também têm papel nesse processo, com diálogo e estímulo à reflexão. “Mais do que preparar o indivíduo para o ato de votar, a educação política continuada estrutura a consciência cidadã para toda a vida”, afirma a especialista.



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