Dia das Crianças: dentista faz alerta sobre doces e revela cuidados essenciais com os dentes
Com a chegada do Dia das Crianças, dentista orienta famílias sobre consumo de açúcar, escovação, uso do fio dental e importância das consultas preventivas

A chegada do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, costuma aumentar a presença de balas, chocolates, pirulitos e outras guloseimas na rotina dos pequenos. Apesar de fazerem parte das comemorações, esses alimentos exigem atenção dos responsáveis, principalmente quando consumidos com frequência e sem os cuidados adequados de higiene bucal.
O alerta é da cirurgiã-dentista Maria Eline Muniz, preceptora em uma das Clínicas de Odontologia da Estácio. Segundo a especialista, a prevenção de problemas dentários deve começar nos primeiros anos de vida e envolve muito mais do que evitar cáries.
“Saúde bucal não é somente não ter cárie, não ter tártaro ou não ter dor de dente. Inclui ter uma boca saudável, que consiga falar, mastigar, sorrir, se relacionar com as outras pessoas e tudo isso com conforto e qualidade de vida. A saúde bucal faz parte da nossa saúde como um todo. Cuidar da nossa boca é cuidar do nosso corpo de maneira geral”, explica.
Sinais que podem indicar problemas na saúde bucal
Embora a dor de dente seja um dos sintomas mais conhecidos, outros sinais também podem indicar alterações que precisam ser avaliadas por um profissional.
Entre eles estão sangramento na gengiva, sensibilidade excessiva, mau hálito persistente, manchas nos dentes e feridas que demoram a desaparecer.
“Alguns sinais são muito importantes e a gente não pode ignorar: dor de dente, muita sensibilidade, sangramento durante a escovação ou ao passar o fio dental, mau hálito persistente, dentes quebrados ou manchas nos dentes, além de lesões como bolhas ou aftas que não somem ou aparecem de forma recorrente”, enumera Maria Eline.
A profissional destaca que nem todas as doenças bucais apresentam sintomas nas fases iniciais. Por isso, as consultas preventivas são fundamentais, mesmo quando a criança não demonstra desconforto.
“Nem sempre vai existir um sinal ou sintoma quando há um problema. Por isso é importante fazer o acompanhamento odontológico de forma regular. Muitos problemas ficam escondidos e o cirurgião-dentista consegue identificá-los”, acrescenta.
Quando levar a criança ao dentista pela primeira vez?
Uma das principais recomendações é iniciar o acompanhamento odontológico a partir do nascimento dos primeiros dentes.
As orientações sobre higiene e prevenção, entretanto, podem começar ainda durante a gestação, preparando os responsáveis para os cuidados necessários após o nascimento do bebê.
Além de contribuir para a prevenção de doenças, o contato precoce com o consultório ajuda a evitar que a criança associe o atendimento odontológico exclusivamente à dor ou ao medo.
“Toda criança tende a ser muito mais tolerante e acostumada com aquilo que vê com frequência, com aquilo que conhece. Muitas vezes, o medo do dentista vem do desconhecido ou até de experiências traumáticas contadas por familiares. É importante trabalhar desde cedo a ideia de que o dentista não é algo ruim, mas alguém que está ali para cuidar dela”, afirma.
A especialista reforça a necessidade de transformar as consultas em parte da rotina familiar.
“É muito importante que a gente não espere a criança ter dor para levá-la ao dentista”, reforça Maria Eline.
Crianças precisam de ajuda para escovar os dentes
Outro ponto destacado pela dentista é a participação dos pais na higiene bucal dos filhos.
Embora seja importante incentivar a autonomia infantil, crianças pequenas ainda não possuem habilidade suficiente para realizar uma escovação completamente eficaz sem supervisão.
Por isso, a orientação é que os responsáveis acompanhem a limpeza dos dentes e assumam diretamente pelo menos uma das escovações diárias, preferencialmente antes de dormir.
“É importante a criança ter autonomia? Com certeza. Mas pelo menos uma vez ao dia, principalmente no fim do dia, é importante que a mãe ou o pai pegue a escova e faça efetivamente a escovação dos dentes da criança para garantir uma higiene adequada”, orienta.
O uso de creme dental com flúor é indicado desde o aparecimento do primeiro dente, respeitando a quantidade adequada à idade e as orientações do dentista.
O fio dental também deve integrar os cuidados, inclusive durante a fase dos dentes de leite, especialmente quando há contato entre os dentes e a escova não consegue limpar os espaços.
“O hábito é poderoso. Quando a gente cria essa rotina na criança, naturalmente ela tende a exercer esse autocuidado com o fio dental para o resto da vida. A gente está construindo bons hábitos para o futuro”.
Doces no Dia das Crianças: o que os pais devem evitar?
Com a proximidade das comemorações de 12 de outubro, a especialista chama atenção para a frequência do consumo de açúcar.
O problema não está necessariamente em comer um doce durante uma celebração, mas em manter o consumo repetido ao longo do dia, principalmente entre as refeições e próximo ao horário de dormir.
“É importante evitar o consumo frequente de doces, principalmente entre as refeições e antes de dormir. Tudo isso impacta a saúde bucal e a saúde geral da criança”, destaca Maria Eline.
A recomendação é manter os cuidados de higiene mesmo durante festas e períodos de maior consumo de guloseimas.
Exemplo dos pais influencia a saúde bucal dos filhos
Além das orientações sobre alimentação e escovação, a cirurgiã-dentista destaca a influência do comportamento familiar na construção de hábitos saudáveis.
Crianças que observam os responsáveis escovando os dentes, utilizando fio dental e frequentando regularmente o consultório odontológico tendem a compreender esses cuidados como parte natural do cotidiano.
“Quando a criança vê os pais cuidando da saúde bucal e tratando a ida ao dentista como algo bom e natural, isso constrói uma relação positiva com o dentista e com o cuidado com os dentes. E isso gera um futuro mais saudável para a criança”, afirma.
A orientação para o Dia das Crianças é aproveitar a data não apenas para celebrar, mas também para reforçar hábitos que contribuam para a saúde bucal durante a infância e ao longo da vida.



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