Daniel Alves tem fazenda na Bahia penhorada por dívida de R$ 7,7 milhões
Decisão judicial atinge propriedades do ex-jogador em Juazeiro, no norte baiano, após cobrança de fundo de investimentos relacionada a acordo milionário com o São Paulo

A Justiça de São Paulo determinou a penhora de imóveis pertencentes ao ex-jogador Daniel Alves, localizados em Juazeiro, no norte da Bahia, em meio a uma disputa judicial envolvendo uma dívida estimada em R$ 7,7 milhões. A cobrança está relacionada a valores de um acordo de rescisão contratual firmado entre o ex-lateral e o São Paulo Futebol Clube, em 2021.
Entre os bens atingidos pela decisão está uma fazenda de 64,4 hectares, cuja propriedade pertence integralmente ao ex-atleta. Outro imóvel situado no mesmo município, do qual Daniel Alves possui 50%, também foi incluído na determinação judicial.
Além das propriedades, um Porsche 911 Carrera já havia sido alvo de uma ordem de bloqueio em 2021. No entanto, o veículo apresentava uma restrição judicial anterior, vinculada a um processo que tramita sob segredo de Justiça.
Entenda a origem da dívida milionária de Daniel Alves
A ação judicial foi apresentada pelo GAD Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios, responsável pela aquisição de créditos relacionados ao acordo financeiro estabelecido entre Daniel Alves e o São Paulo após a saída do jogador do clube paulista.
Em setembro de 2021, o ex-lateral acertou sua rescisão contratual com o Tricolor. Pelo acordo, o clube deveria pagar R$ 22,8 milhões ao atleta, divididos em 60 parcelas de aproximadamente R$ 380,6 mil.
Entretanto, em setembro de 2022, após o pagamento de oito parcelas, Daniel Alves firmou um contrato com o fundo de investimentos, transferindo os direitos sobre os valores que ainda teria a receber.
A operação envolveu o pagamento de R$ 11,5 milhões ao ex-jogador pela cessão de créditos com valor nominal de R$ 19,8 milhões, correspondentes às 52 parcelas restantes.
Conforme o contrato apresentado pelo fundo, Daniel Alves deveria transferir à GAD os pagamentos recebidos do São Paulo.
Prisão na Espanha e interrupção dos repasses
A situação financeira envolvendo o acordo ganhou novos desdobramentos em 2023, quando Daniel Alves foi preso na Espanha enquanto aguardava julgamento por uma acusação de estupro.
Segundo as informações apresentadas no processo, Dinorah Santana, ex-esposa e procuradora do jogador, declarou que desconhecia o contrato firmado com o fundo de investimentos. Com isso, os repasses previstos no acordo deixaram de ser realizados.
Diante da interrupção dos pagamentos, a GAD informou ter notificado o São Paulo para que os valores fossem depositados diretamente em favor do fundo. A medida, entretanto, não teria solucionado imediatamente a situação, ampliando o prejuízo alegado pela instituição.
Pensão alimentícia também entrou na disputa judicial
Outro ponto destacado pelo fundo de investimentos envolve o destino de parte dos pagamentos realizados pelo São Paulo.
De acordo com a GAD, foi identificado que metade dos valores relacionados ao acordo estava sendo destinada a um processo de pensão alimentícia envolvendo um dos filhos de Daniel Alves.
A situação teria comprometido ainda mais o recebimento dos recursos previstos no contrato de cessão de crédito.
Com os pagamentos pendentes, o fundo passou a cobrar judicialmente, em outubro de 2025, uma dívida estimada em R$ 7,7 milhões.
A determinação de penhora dos imóveis em Juazeiro integra as medidas judiciais destinadas à recuperação do valor reivindicado. A penhora, por si só, não representa a transferência imediata da propriedade dos bens.



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