Crise da laranja na Bahia acende alerta na ALBA e ameaça empregos
Produtores enfrentam queda drástica no preço da laranja e cobram apoio urgente para evitar colapso no setor

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizou, nesta segunda-feira (13), uma audiência pública para discutir a crise na citricultura do estado. O encontro reuniu parlamentares, produtores, cooperativas, representantes de governos e instituições financeiras para debater soluções emergenciais.
O deputado Eduardo Salles (PV), que conduziu a audiência, classificou o cenário como crítico. “A citricultura baiana passa por uma crise terrível, dolorosa”, afirmou, alertando para o risco de desemprego em massa em mais de 30 municípios.
Entre os encaminhamentos anunciados, está a prorrogação de dívidas de produtores com o Banco do Nordeste. “Vamos estender o prazo final das parcelas que vencem em 2026 para quem não tem condições de pagar. Podem buscar o banco. Se o cenário permanecer para 2027, podemos estudar o caso e avaliar a possibilidade de carência”, explicou o superintendente regional Pedro Lima.
Produtores relatam forte queda no preço da laranja, que saiu de cerca de R$ 2,5 mil para R$ 400 por tonelada, enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 700. A situação já impacta economias locais, como em Rio Real, onde o comércio registra queda nas vendas.
Representantes do setor também defenderam medidas como a instalação de indústrias de processamento na Bahia, inclusão do suco de laranja na merenda escolar e regulação de preços. “Temos produtores com a mão na cabeça, sem saber como vão pagar suas dívidas”, disse o presidente do Sindicato Rural de Rio Real, Fernando Braz.
O produtor Vagner Batista alertou para a gravidade do cenário. “É uma situação de emergência que requer socorro financeiro. Por isso é importante a prorrogação da dívida, porque os analistas apontam que essa crise só deve cessar em 2028”, afirmou.
Outro alerta foi feito por Geraldo Souza: “A situação é mais grave do que muitos imaginam. Se nada mudar, caminhões de laranja serão descartados à beira das estradas, pois as fábricas não têm como adquirir a produção, já que estão com estoques abarrotados”.
O governo da Bahia informou que articula medidas como abertura de novos mercados, atração de indústrias e inclusão do produto na merenda escolar, além de diálogo com municípios para apoiar os produtores.



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