Coren-BA lança campanha de combate à violência contra profissionais de enfermagem na Bahia
Conselho contabilizou 233 processos apenas nos oito primeiros meses de 2026 e reforça orientações para denunciar agressões contra trabalhadores da saúde

O crescimento dos registros de violência contra profissionais de enfermagem na Bahia acendeu um alerta entre as entidades que representam a categoria. Diante desse cenário, o Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) lançou, em outubro, em Salvador, uma campanha de combate às agressões sofridas por enfermeiros, técnicos e auxiliares durante o exercício de suas atividades.
A iniciativa busca conscientizar pacientes, acompanhantes e a população sobre a importância do respeito aos trabalhadores da saúde, além de incentivar a denúncia de episódios de violência nos ambientes de atendimento.
De acordo com dados do Coren-BA, foram registrados 565 processos relacionados a diferentes formas de violência entre 2024 e agosto de 2026. Desse total, 169 ocorreram em 2024, outros 163 em 2025 e 233 foram contabilizados somente nos oito primeiros meses de 2026.
As ocorrências incluem suspeitas de agressões físicas, ameaças, ofensas verbais, assédio moral, injúria, discriminação racial, perseguição e abuso de autoridade.
Agressões contra enfermeiras em Salvador preocupam Conselho
Entre os episódios que motivaram a mobilização está a agressão contra três enfermeiras durante um plantão no Hospital Professor Eládio Lassére, localizado no bairro de Cajazeiras, em Salvador. Segundo as informações divulgadas, as profissionais foram agredidas por um acompanhante.
O presidente do Coren-BA, Davi Apóstolo, afirmou que a quantidade de denúncias recebidas pela entidade provocou preocupação e reforçou a necessidade de medidas de conscientização.
“A gente ficou alarmado com a quantidade exagerada de agressões, seja física, verbal ou, muitas vezes, até sexual, que os profissionais estão sofrendo na ponta”, afirmou.
O problema também atinge profissionais em outras regiões do país. Conforme levantamento do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mais de 28% dos trabalhadores da categoria no Brasil sofreram algum tipo de violência no ambiente profissional nos últimos anos.
Atualmente, o país reúne mais de 3 milhões de profissionais de enfermagem, distribuídos entre instituições públicas e privadas.
Superlotação e demora no atendimento não justificam agressões
Um dos principais objetivos da campanha do Coren-BA é esclarecer à população que dificuldades estruturais enfrentadas pelas unidades de saúde não podem ser atribuídas individualmente aos profissionais responsáveis pela assistência.
Problemas como superlotação, falta de medicamentos e insumos, demora no atendimento e equipes reduzidas fazem parte de questões relacionadas à organização e à gestão dos serviços de saúde.
O Conselho também destaca que a ordem dos atendimentos, especialmente nos serviços de urgência e emergência, considera a gravidade do quadro clínico e os riscos apresentados pelos pacientes, e não necessariamente a ordem de chegada.
“O profissional que está ali atendendo não é culpado diante desse cenário caótico do serviço de saúde. Ele está ali para prestar assistência”, explicou Davi Apóstolo.
A entidade ressalta que os usuários têm direito de cobrar melhorias na assistência, mas que insatisfações com o funcionamento das unidades não justificam ameaças ou agressões contra os trabalhadores.
Saiba como denunciar violência contra profissionais de enfermagem
Como parte das ações de enfrentamento à violência, o Coren-BA mantém um canal exclusivo para receber denúncias de agressões físicas e verbais. O serviço foi criado em julho de 2025 e está disponível para profissionais que tenham sido vítimas dessas situações.
Os relatos podem ser encaminhados ao endereço eletrônico denunciasassedio@coren-ba.gov.br.
O Conselho recomenda que as vítimas também registrem boletim de ocorrência e preservem elementos que possam contribuir para a investigação, como fotografias, documentos e depoimentos de testemunhas.
Esses registros são importantes para auxiliar na apuração dos fatos e na eventual responsabilização dos envolvidos.
Coren-BA também cobra melhores condições de trabalho
Além das ações educativas, o Conselho Regional de Enfermagem da Bahia desenvolve iniciativas em parceria com o Ministério Público do Trabalho, sindicatos e instituições de saúde para fortalecer a segurança e melhorar as condições de trabalho da categoria.
Entre as prioridades está a fiscalização do cumprimento da Lei Federal nº 14.602/2023, que estabelece a obrigatoriedade de espaços adequados para o repouso de profissionais de enfermagem durante a jornada de trabalho.
Segundo Davi Apóstolo, instituições privadas receberam prazo até o final de outubro para realizar as adequações necessárias à legislação.
Caso as exigências não sejam cumpridas, o Conselho poderá intensificar as fiscalizações e adotar as medidas cabíveis.
Com a campanha, o Coren-BA pretende ampliar a conscientização sobre os direitos dos trabalhadores da enfermagem, estimular a formalização de denúncias e reforçar a necessidade de ambientes de trabalho mais seguros.
A entidade também defende que a melhoria dos serviços de saúde deve ser acompanhada da valorização dos profissionais responsáveis pelo atendimento à população.
Mais informações podem ser consultadas no site oficial do Coren-BA e no Instagram do Coren-BA.



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