Câmeras de reconhecimento facial ajudam a prender 870 devedores de pensão alimentícia na Bahia

Levantamento da SSP aponta que quase metade das prisões realizadas com auxílio da tecnologia em 2026 envolve dívidas de pensão alimentícia

Bahia Polícia
Câmeras de reconhecimento facial ajudam a prender 870 devedores de pensão alimentícia na Bahia
Foto: Amanda Oliveira/ GOVBA

O uso de câmeras de reconhecimento facial na Bahia tem contribuído para a localização de pessoas com mandados de prisão em aberto, incluindo pais que deixaram de pagar pensão alimentícia. Entre janeiro e 15 de setembro de 2026, a tecnologia auxiliou na realização de 1.847 prisões em todo o estado, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

Desse total, 870 prisões, o equivalente a 47,10%, foram relacionadas ao não pagamento de pensão alimentícia. Entre os casos registrados, 285 ocorreram durante grandes eventos, como Carnaval, festas juninas e partidas de futebol.

Os números também mostram o alcance da ferramenta desde sua implantação, em 2019. Até 2026, o sistema contribuiu para 6.293 prisões na Bahia.

De acordo com o superintendente de Telecomunicações da SSP, coronel André Borges, “2.025 (32,17%) dessas prisões foram de pais que não estavam pagando a seus filhos os valores determinados judicialmente”.

Reconhecimento facial identifica devedores em diferentes cidades

Atualmente, a estrutura de monitoramento da SSP conta com aproximadamente 1.200 câmeras de reconhecimento facial instaladas em 81 municípios baianos.

O sistema utiliza informações do Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), administrado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para identificar pessoas procuradas pela Justiça.

A ferramenta não é destinada exclusivamente à localização de devedores de pensão alimentícia. Desde sua criação, foi desenvolvida para emitir alertas relacionados a diferentes modalidades de mandados judiciais, respeitando os registros e os critérios de validade disponíveis no banco nacional.

Para o coronel André Borges, a utilização da tecnologia também representa um instrumento de apoio ao cumprimento das decisões judiciais envolvendo os direitos de crianças e adolescentes.

“Essa atuação proporciona às mães e responsáveis que enfrentam as dificuldades decorrentes do não cumprimento das obrigações alimentares a esperança de que as decisões judiciais sejam efetivamente cumpridas, contribuindo para a garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes e para a proteção daqueles que dependem desses recursos para sua subsistência”, salienta o coronel.

Mães podem buscar atendimento gratuito para cobrar pensão alimentícia

Além das medidas judiciais de cobrança, famílias que enfrentam dificuldades para receber pensão alimentícia podem recorrer à Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA).

O órgão disponibiliza assistência jurídica gratuita, incluindo orientações, tentativas de conciliação e mediação entre os responsáveis pelas crianças.

“A DPE-BA auxilia as mães, através de orientações, bem como através das tentativas de conciliação e mediação extrajudiciais com os genitores das crianças, e também ingressa com ações de alimentos (para quem não tem pensão fixada) e execução de alimentos (cobrança de prestações já fixadas em atraso)”, esclarece a defensora pública Suellen Bury, coordenadora da Especializada de Família e Sucessões de Salvador.

Os dados apresentados pela instituição revelam a demanda por esse tipo de atendimento na capital baiana.

Somente em 2025, a Defensoria atuou em 8.875 ações de alimentos e 1.202 processos de execução de pensão alimentícia em Salvador.

Já entre janeiro e abril de 2026, foram contabilizadas 2.683 ações de alimentos e 416 execuções.

Quem precisa de assistência pode entrar em contato pelo telefone 129 ou acessar o site oficial da Defensoria Pública da Bahia.

Prisão por dívida de pensão alimentícia é uma medida civil

A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) também participa de situações envolvendo pessoas detidas por inadimplência de pensão alimentícia.

Segundo a superintendente de Apoio e Defesa de Direitos Humanos da pasta, Trícia Calmon, familiares de pessoas presas procuram o órgão para solicitar acompanhamento e mediação dos procedimentos legais.

A primeira etapa consiste em verificar se as condições da prisão estão de acordo com as determinações judiciais.

“Nós atuamos na tentativa de abreviar o tempo de permanência deles em estado de prisão, na medida em que tenham comprovado que os valores devidos já foram pagos, a fim de que ali permaneçam o mínimo de tempo possível”, aponta.

Nos casos em que o débito ainda existe, a secretaria pode acompanhar os procedimentos relacionados ao pagamento e à eventual liberação do devedor.

“Quando eles conseguem realizar o pagamento, muitas vezes ainda demora um ou dois dias para serem soltos, por conta dos trâmites legais. E nós procuramos mediar a situação”, diz.

A gestora também destaca que o reconhecimento facial pode contribuir para o cumprimento dos mandados judiciais sem a necessidade de determinadas operações ostensivas.

“É importante salientar que a prisão por dívida de pensão alimentícia se dá por via civil e não criminal. Trata-se de medida coercitiva. Isso garante o direito das crianças e das mulheres, que muitas vezes assumem sozinhas as responsabilidades das despesas com os filhos”, observa.

A prisão civil por dívida alimentar tem como finalidade pressionar o devedor a cumprir uma obrigação judicial. A medida não equivale a uma condenação criminal e deve observar os requisitos previstos na legislação brasileira.

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