Brasil cria 121 mil empregos em setembro e Nordeste lidera geração de vagas
Levantamento do Ministério do Trabalho aponta queda de 43,5% nas contratações líquidas em relação a setembro de 2025; Nordeste foi a região que mais gerou empregos

O Brasil registrou a abertura de 121,3 mil vagas de emprego com carteira assinada em setembro de 2026, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta quarta-feira (4). Apesar do saldo positivo, o resultado representa uma desaceleração na geração de postos formais no país.
Na comparação com setembro de 2025, quando foram criadas 214,6 mil vagas, houve uma redução de 43,5%. O desempenho é o mais baixo para o mês desde 2020, início da atual série histórica do Novo Caged.
O cenário ocorre em meio aos juros elevados e à perda de ritmo da atividade econômica. Em agosto deste ano, o mercado de trabalho havia registrado saldo positivo de 161 mil empregos, número superior ao observado em setembro.
Geração de empregos desacelera em 2026
Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil acumulou a criação de 1.248.914 empregos formais, uma queda de 27,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos primeiros nove meses de 2025, o saldo havia alcançado 1.731.398 postos de trabalho.
Os números incluem ajustes realizados pelo Ministério do Trabalho, que considera informações enviadas fora do prazo pelos empregadores e revisões de períodos anteriores.
Serviços lideram contratações no país
Dos cinco grandes setores econômicos analisados pelo Caged, quatro apresentaram saldo positivo em setembro. O setor de serviços foi responsável pelo maior volume de contratações líquidas, enquanto a agropecuária registrou fechamento de vagas.
Confira o desempenho:
| Setor | Saldo de empregos |
|---|---|
| Serviços | +81.241 |
| Indústria | +19.285 |
| Comércio | +15.697 |
| Construção civil | +9.468 |
| Agropecuária | -4.381 |
No setor de serviços, as atividades administrativas e os serviços complementares lideraram a geração de empregos, com aproximadamente 18,3 mil vagas. Em seguida aparecem saúde humana e serviços sociais, com 15,4 mil postos, e transporte, armazenagem e correio, com 13,2 mil.
Na indústria, destacaram-se atividades ligadas à fabricação de produtos alimentícios, com cerca de 17 mil vagas, além da fabricação de veículos automotores, com 2,1 mil, e das atividades de coleta e tratamento de resíduos, com 1,48 mil.
O comércio varejista respondeu pela abertura de aproximadamente 9,43 mil empregos, enquanto o atacadista, excluindo veículos e motocicletas, registrou 3,87 mil.
Na construção civil, os principais resultados vieram das obras de infraestrutura, com 4,66 mil vagas, e dos serviços especializados para construção, com 3,9 mil.
Nordeste lidera geração de empregos formais em setembro
O Nordeste foi a região brasileira com o maior saldo de empregos formais em setembro, registrando 49.142 novas vagas. O resultado colocou a região à frente do Sudeste, que contabilizou 39.404 postos.
Veja os números por região:
| Região | Vagas criadas |
|---|---|
| Nordeste | 49.142 |
| Sudeste | 39.404 |
| Norte | 14.748 |
| Sul | 9.949 |
| Centro-Oeste | 7.894 |
Entre os estados, São Paulo apresentou o maior saldo positivo, com aproximadamente 19,3 mil empregos. Pernambuco ficou na segunda posição, com 13,3 mil, seguido por Alagoas, com 11,1 mil.
Das 27 unidades da Federação, 26 tiveram mais admissões do que desligamentos. A única exceção foi o Rio Grande do Sul, que encerrou setembro com saldo negativo de aproximadamente 2,9 mil vagas.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o resultado gaúcho está relacionado ao encerramento da safra de fumo e à retração das atividades do comércio varejista.
Os menores saldos positivos foram registrados no Acre, com 235 vagas, Goiás, com 307, e Maranhão, com 654.
Salário médio de admissão apresenta pequena queda
O salário médio real dos trabalhadores admitidos com carteira assinada em setembro ficou em R$ 2.429,41, uma redução de R$ 1,10 em comparação com agosto, quando o valor era de R$ 2.430,51.
A variação mensal foi negativa em 0,05%. Entretanto, na comparação com setembro de 2025, houve crescimento real de 1,88%, equivalente a R$ 44,90.
No mesmo mês do ano passado, o salário médio de contratação estava em R$ 2.384,51.
Brasil ultrapassa 48 milhões de trabalhadores com carteira assinada
Mesmo diante da desaceleração na criação de empregos, o número total de trabalhadores com vínculo formal continuou crescendo.
Ao final de setembro de 2026, o Brasil contabilizava 48,35 milhões de pessoas empregadas com carteira assinada.
O contingente representa crescimento de 0,25% em relação a agosto e avanço de 1,65% na comparação com setembro de 2025.
Os dados mostram que o mercado de trabalho brasileiro continua apresentando saldo positivo, embora em ritmo inferior ao registrado no ano anterior.



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