Bate-boca e choro: clima esquenta no Senado durante votação do fim da escala 6×1

Política
Bate-boca e choro: clima esquenta no Senado durante votação do fim da escala 6×1
Foto: Jonas Pereira/ Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado viveu momentos de forte tensão e emoção durante a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada 6×1.

Marcado por lágrimas, memórias familiares e intensos embates políticos, o debate expôs as profundas divergências entre os senadores sobre o impacto do projeto na economia e na vida do trabalhador.

Choro e Apelo Pessoal no Plenário

O clima pesou quando os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Cleitinho (Republicanos-MG) se emocionaram ao defender a proposta:

  • Paulo Paim: Em tom de despedida da vida parlamentar, Paim recordou sua trajetória desde a Assembleia Constituinte de 1988 — quando a jornada caiu de 48 para 44 horas — e apelou ao Centrão por apoio. Rebatendo previsões de inflação, defendeu a redução para 40 horas semanais: “Estamos, nesse momento, escrevendo a história”.
  • Cleitinho: Ao relatar sua experiência pessoal e a de seu falecido pai na rotina 6×1, criticou o distanciamento entre o Congresso e o trabalhador. “Quem nunca trabalhou na 6×1 não pode falar nela. Para ferrar com o povo é 24 horas”, desabafou antes de prometer o voto favorável.

Confronto e Troca de Farpas

A articulação da matéria gerou atritos diretos entre a mesa diretora e a oposição:

  • Omar Aziz (PSD-AM) & Otto Alencar (PSD-BA): O relator e o presidente da CCJ defenderam a urgência da medida. Aziz classificou o projeto como a “PEC da empatia” e rejeitou todas as emendas apresentadas, afirmando que a jornada atual de 44 horas precisa ser atualizada por razões de saúde mental.
  • Rogério Marinho (PL-RN): Opositor do projeto, acusou o Senado de cercear o debate e alertou que a mudança engessará o mercado, gerando desemprego e alta de preços. O embate subiu de tom com trocas de acusações de “assédio ao trabalhador” e provocações pessoais entre Marinho e Aziz.

Como Funciona a Transição da PEC

Caso aprovada na totalidade, a proposta altera progressivamente a carga horária sem corte salarial:

  • Primeiros 60 dias: Queda da carga horária de 44 para 42 horas semanais.
  • Após 12 meses: Redução definitiva para 40 horas semanais e instituição do modelo 5×2.

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