Bahia se prepara para estiagem e incêndios com 661 focos registrados em 86 dias
UPB reuniu Defesa Civil e Bombeiros para definir ações contra os efeitos da estiagem e das queimadas no estado

A Bahia já contabiliza 661 focos de incêndios em 86 dias, com ocorrências registradas em 95 municípios. Diante da previsão de um período de estiagem mais intenso nos próximos meses, a União dos Municípios da Bahia (UPB) reuniu representantes das Defesas Civis Nacional e Estadual e do Corpo de Bombeiros para discutir medidas de prevenção e enfrentamento.
O encontro aconteceu nesta quarta-feira (23) e teve como foco os possíveis impactos do fenômeno El Niño, principalmente sobre o abastecimento de água, a produção rural e o avanço dos incêndios florestais.
Municípios mais vulneráveis
Durante a reunião, a UPB apresentou um levantamento realizado com prefeituras baianas para identificar as principais necessidades dos municípios e direcionar os esforços para as localidades com maior vulnerabilidade e menor capacidade financeira.
A entidade propôs cruzar dados de área territorial, população e receitas provenientes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do ICMS. A ideia é identificar quais cidades teriam mais dificuldade para responder a uma eventual emergência utilizando apenas recursos próprios.
“Não podemos olhar todos os municípios da mesma forma. Precisamos identificar aqueles que realmente não têm condições de enfrentar sozinhos uma situação dessa dimensão”, afirmou o presidente da UPB, Wilson Cardoso.
Segundo ele, os próximos 120 dias exigirão uma mobilização intensa diante da previsão de avanço dos efeitos do El Niño.
Pequenos produtores também preocupam
Outro ponto destacado durante o encontro foi o impacto da estiagem sobre os pequenos produtores rurais. Para a UPB, esse grupo precisa receber atenção antes que as perdas se agravem.
“Quando o pequeno produtor perde seus animais, ele não perde apenas o rebanho. Ele perde a renda, a segurança e, muitas vezes, o patrimônio que levou uma vida inteira para construir. Precisamos chegar antes”, defendeu Cardoso.
Energia entra no plano contra incêndios
A prevenção de incêndios também levou à discussão sobre a atuação da Neoenergia Coelba. A preocupação é que falhas ou problemas na rede de distribuição de energia possam contribuir para o início de incêndios, principalmente em áreas rurais.
Cardoso defendeu que a concessionária seja chamada para participar das estratégias preventivas, incluindo ações de manutenção e limpeza nas áreas por onde passam as redes elétricas.
Bombeiros antecipam operação
O comandante do Corpo de Bombeiros da Bahia, coronel Aloísio Mascarenhas, apresentou o planejamento para o período de incêndios florestais e informou que a operação foi antecipada neste ano devido às condições climáticas previstas.
Atualmente, 176 bombeiros estão dedicados exclusivamente ao combate aos incêndios florestais, com previsão de reforço do efetivo nos próximos meses.
Mascarenhas também destacou a importância da atuação preventiva das prefeituras, principalmente com a manutenção de brigadas e a abertura de aceiros — faixas de terreno onde a vegetação é removida para impedir ou dificultar a propagação do fogo.
União e municípios devem atuar juntos
O diretor do Departamento de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional, Armin Braun, defendeu uma atuação conjunta entre os diferentes níveis de governo para reduzir os impactos da estiagem.
“Esse enfrentamento precisa ser feito de forma conjunta para poder dar alívio a população. Agradeço a UPB por nos mostrar a realidade dos municípios. O período é muito crítico, mas o trabalho será feito muito próximo da população com a Defesa Civil Nacional, a Defesa Civil do Estado e os municípios, para que a gente possa, de fato, dar celeridade para minimizar os efeitos do El Niño”, afirmou.
O superintendente da Defesa Civil da Bahia, Osny Bomfim, também ressaltou que as diferenças entre os municípios precisam ser consideradas na definição das ações.
Segundo ele, o levantamento realizado pela UPB pode ajudar a direcionar os recursos para as áreas que apresentam maior vulnerabilidade, especialmente os municípios do semiárido, que já convivem com períodos de estiagem.
“Não podemos enxergar a Bahia como uma coisa só. Existem diferenças muito grandes entre municípios e entre territórios de identidade. Quanto mais precisos formos na ação do Estado e da União para cada município, melhor será o resultado”, destacou.



Comentários: