Bahia disputa prêmio nacional por ações contra o feminicídio

Tricolor baiano concorre com Botafogo e Internacional na categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio; vencedor será anunciado em novembro, em São Paulo

Bahia disputa prêmio nacional por ações contra o feminicídio
Foto: Catarina Brandão/ EC Bahia

O Esporte Clube Bahia está entre os três finalistas do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas 2026, na categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio. A indicação foi anunciada nesta segunda-feira (2) e reconhece iniciativas desenvolvidas por clubes brasileiros no enfrentamento ao assédio, à violência de gênero e ao feminicídio.

O Tricolor de Aço disputa o reconhecimento nacional com Botafogo e Internacional, que também desenvolveram campanhas de conscientização e projetos voltados à proteção das mulheres.

A escolha dos finalistas foi realizada por um júri formado exclusivamente por mulheres, incluindo jornalistas, comunicadoras, personalidades e profissionais ligadas ao futebol feminino e às discussões sobre igualdade de gênero.

O vencedor será conhecido no dia 15 de novembro, durante cerimônia no Museu do Futebol, em São Paulo.

Bahia ganha destaque com campanhas de combate à violência contra a mulher

Entre as iniciativas que colocaram o Bahia na disputa está a participação na campanha “Feminicídio Zero”, promovida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo da Bahia.

A mobilização aconteceu no início da temporada, antes do confronto contra o Galícia, pela terceira rodada do Campeonato Baiano masculino, na Arena Fonte Nova, em Salvador.

Na ocasião, os jogadores entraram em campo utilizando camisas roxas, enquanto faixas com mensagens de conscientização foram exibidas no estádio. Uma unidade móvel também foi disponibilizada na área externa para oferecer acolhimento e informações sobre os serviços de proteção às mulheres.

Outra iniciativa de destaque foi a campanha “Terceiro Tempo”, desenvolvida em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a agência Propeg.

A ação buscou chamar a atenção para o aumento dos episódios de violência contra mulheres em dias de partidas de futebol.

Segundo o estudo “Futebol e Violência contra a Mulher”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os registros de ameaças aumentam 27,4% em dias de jogos, enquanto as ocorrências de lesão corporal relacionadas à violência doméstica crescem 28,8%.

Após o confronto entre Bahia e Internacional, realizado em 30 de agosto, na Fonte Nova, um grupo de mulheres permaneceu na arquibancada leste. Entre as participantes estavam torcedoras, influenciadoras, colaboradoras do clube e convidadas.

No letreiro localizado acima delas, foi exibida a mensagem:

“Hoje, ficar no estádio é mais seguro que em casa”.

A mobilização teve como objetivo provocar uma reflexão sobre a violência doméstica e a insegurança enfrentada por mulheres dentro de suas próprias residências.

Botafogo também desenvolve iniciativas de proteção às mulheres

Outro finalista, o Botafogo mantém desde 2022 o projeto “A Hora Delas”, criado para ampliar a participação feminina no futebol e combater situações de assédio e violência de gênero.

Como parte da iniciativa, o Estádio Nilton Santos passou a contar com um posto destinado ao recebimento de denúncias durante as partidas, tornando-se o primeiro estádio do Rio de Janeiro a oferecer esse serviço.

A estrutura funciona com apoio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e do Juizado Especial Criminal (Jecrim). O clube também promove treinamentos para funcionários e profissionais de segurança que trabalham nos jogos.

O nome do projeto ganhou espaço no uniforme especial utilizado pelo time na partida contra o Remo, em 28 de outubro, no Mangueirão, em Belém. A camisa, com listras rosas e brancas inspiradas na árvore japonesa sakura, fez referência à campanha Outubro Rosa.

Outra mobilização ocorreu em novembro de 2025, durante o confronto contra o Corinthians, na Neo Química Arena, em São Paulo.

Na ocasião, os clubes utilizaram uniformes com números inspirados em radiografias reais de mulheres vítimas de agressão.

As camisas também apresentavam a pergunta “quem matou?”, acompanhada dos nomes de mais de 40 vítimas de feminicídio.

Internacional aposta em campanhas e ações de conscientização

O Internacional completa a lista de finalistas e também desenvolve projetos de enfrentamento à violência contra as mulheres.

O clube gaúcho destaca sua relação histórica com a participação feminina, afirmando ter sido o primeiro do Brasil a contar com uma mulher em seu quadro de associados: Maria Von Ockel, em 2 de abril de 1918.

Em 2025, o Colorado aderiu ao movimento “Banco Vermelho”, iniciativa internacional que utiliza bancos pintados de vermelho como símbolo de conscientização sobre o feminicídio.

Um desses bancos foi instalado na área do Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, permitindo que visitantes deixem mensagens de apoio e de combate à violência de gênero.

Em abril de 2026, o Museu do Inter recebeu o encontro “Mulheres na Arquibancada e o Combate ao Feminicídio”, com depoimentos de vítimas de assédio e violência, além de palestras de especialistas.

A atividade foi organizada pelo núcleo feminino da torcida Guarda Popular, com apoio do Internacional.

Outra campanha ocorreu em 8 de março, durante a decisão do Campeonato Gaúcho masculino, entre Internacional e Grêmio.

Os jogadores entraram em campo com mensagens de combate à violência contra a mulher, destacando o número 181, do Disque-Denúncia.

Antes da partida, o telão do Beira-Rio exibiu um placar simbólico de 20 a 0, em referência aos 20 feminicídios registrados no Rio Grande do Sul em 2026 até aquele momento.

A mobilização integrou a campanha estadual “Não Maquie, Denuncie”.

Brasil registrou mais de 1,5 mil feminicídios em 2025

A importância das campanhas desenvolvidas pelos clubes ganha dimensão diante dos indicadores nacionais de violência contra a mulher.

De acordo com o levantamento “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgado em março de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no país em 2025.

O número representa um aumento de 4,7% em comparação com 2024 e equivale a uma mulher assassinada por razões de gênero a cada cinco horas e 36 minutos.

Entre as vítimas, 62,6% eram mulheres negras, enquanto a faixa etária com maior concentração de casos foi a de 30 a 39 anos, responsável por 28,3% das ocorrências.

O estudo também analisou 5.729 feminicídios registrados entre 2021 e 2024.

Nesse período, 66,3% dos crimes ocorreram dentro da residência das vítimas. Além disso, mais de 80% foram praticados por parceiros ou ex-parceiros íntimos.

Os dados reforçam a importância de iniciativas de prevenção, acolhimento e conscientização em diferentes espaços da sociedade, incluindo o futebol.

Quando será anunciado o vencedor do prêmio?

O resultado da categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio será divulgado em 15 de novembro de 2026, durante a cerimônia do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas, no Museu do Futebol, em São Paulo.

Além da categoria disputada por Bahia, Botafogo e Internacional, a premiação reconhecerá destaques do futebol feminino nacional em outras oito categorias:

  • Craque da Torcida;
  • Jogadora Revelação;
  • Melhor Treinador(a);
  • Melhor Jogadora;
  • Artilheira;
  • Gol Mais Bonito;
  • Melhor Departamento de Futebol Feminino;
  • Seleção da Temporada.

A premiação busca valorizar tanto o desempenho esportivo quanto iniciativas que contribuam para o fortalecimento do futebol feminino e para a promoção da igualdade de gênero.

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