Áudios revelam detalhes de torturas na sede da Bamor e apontam ameaças feitas por presidente da organizada

Polícia
Áudios revelam detalhes de torturas na sede da Bamor e apontam ameaças feitas por presidente da organizada

Áudios atribuídos ao presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, revelam detalhes de como integrantes da torcida organizada do Bahia teriam sido convocados para participar de sessões de tortura em Salvador. As gravações foram obtidas pelo g1 e pela TV Bahia e fazem parte de uma investigação que apura crimes cometidos dentro da sede da organizada.

Em uma das mensagens, Matheus teria orientado os participantes sobre a gravidade das agressões planejadas. “Quem tiver nojo de sangue, não vá”, afirma em um dos áudios. Em outro trecho, ele teria mencionado o uso de alicates para ferir uma das vítimas e defendido que as agressões servissem de exemplo para os demais integrantes.

De acordo com as investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), os episódios ocorreram em julho deste ano e envolveram pelo menos duas vítimas. Elas teriam sido submetidas a agressões físicas e psicológicas durante horas, incluindo espancamentos, ameaças, sufocamento e simulações de afogamento.

Uma das vítimas integrava a Bamor havia 18 anos e era responsável pelo cadastro de associados. Segundo as apurações, ela foi chamada à sede para prestar esclarecimentos sobre uma suposta irregularidade financeira. A segunda vítima trabalhava com serviços de tecnologia para a torcida e também teria sido submetida a agressões após negar envolvimento em possíveis fraudes.

Além das suspeitas de tortura, o Ministério Público investiga possíveis crimes de roubo, extorsão, ameaça e organização criminosa. Uma das vítimas relatou que sofreu agressões durante aproximadamente quatro horas e afirmou que os suspeitos exigiram a senha de sua conta bancária. Segundo o relato, R$ 5,8 mil foram transferidos para uma conta da associação.

Matheus Pires Castro e outros nove integrantes da organizada foram presos preventivamente em 28 de setembro, durante a Operação Inquisição. Entre os investigados estão integrantes da presidência e da diretoria da Bamor, além de um policial militar.

O MP-BA denunciou os dez envolvidos no início de outubro. Segundo a promotoria responsável pelo caso, os relatos das vítimas apontam diferentes níveis de participação dos investigados nas agressões.

Em nota, a Bamor afirmou respeitar o trabalho das autoridades e defendeu que eventuais responsabilidades sejam apuradas individualmente, com base em critérios objetivos. A defesa de Matheus declarou que ele é inocente e informou que as medidas judiciais cabíveis estão sendo adotadas.

As investigações continuam. Segundo o Ministério Público, o foco da apuração são os integrantes suspeitos de envolvimento nos crimes, e não a torcida organizada enquanto associação.

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