Até onde vale flexibilizar convicções para fazer o seu lado vencer?
Entre mudanças de discurso, estratégias eleitorais e disputas de narrativa, a democracia depende de limites que também precisam valer quando a contradição está do nosso lado

Cerca de 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a votar no primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número representa crescimento de 1,46% em relação ao eleitorado de 2022.
Enquanto o cenário brasileiro aponta para uma participação expressiva, dados do relatório The Global State of Democracy, do International IDEA, mostram uma queda na participação eleitoral global. A média entre 173 países caiu de 65,2% da população em idade de votar, em 2008, para 55,5%, em 2023.
No Brasil, dados da 169ª Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA, indicam que oito em cada dez brasileiros pretendem comparecer às urnas no dia 4 de outubro. O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre 5 e 9 de agosto, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Credibilidade e reputação entram no debate eleitoral
Além da participação, a confiança nos candidatos aparece como um dos desafios da comunicação política durante a campanha. Para o mestre em Gestão e Tecnologia e relações-públicas Rodrigo Almeida, gestor da agência CRIATIVOS, a credibilidade é um dos “fatores-chave” da comunicação política, mas não deve ser confundida com reputação.
“A reputação não é fruto de uma ação isolada ou de uma estratégia ocasional, mas da construção contínua de um ativo fundamentado em consistência, alinhamento de valores e propósito. Na gestão de imagem e comunicação estratégica, cultivar essa solidez reputacional é o que permite a uma liderança se consolidar como referência legítima, garantindo autoridade, escuta ativa e poder para conversar com diferentes públicos”, comenta.
Segundo o especialista, em um ambiente marcado por ataques digitais, fake news e disputas de narrativa, candidatos precisam apresentar histórico de entregas, resultados, projetos aprovados e políticas públicas implementadas como elementos de construção de credibilidade.
“A reputação política não se improvisa no período eleitoral; ela é resultado de uma gestão contínua de percepção. O eleitor não busca apenas um discurso persuasivo em outubro, mas uma trajetória que sustente a confiança antes, durante e após o pleito”, complementa.
À frente da CRIATIVOS desde 2016, Rodrigo Almeida acumula experiências com marcas como Nubank, Multishow, TEDx, AMVOX, Dendezeiro, Comida di Buteco, Oakley e Americanas.
Para o profissional, a construção da imagem pública também ultrapassa o período eleitoral e pode impactar organizações, entidades e porta-vozes.
“Construir reputação exige um alinhamento contínuo entre discurso e prática cotidiana. A gestão estratégica de percepção consolida a confiança genuína e estabelece um valor reputacional sólido, capaz de conectar a narrativa à entrega real na política, no mercado e na sociedade”, conclui.



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