Após destaque no Carnaval, dupla baiana quer transformar a cena musical de Salvador
Dupla de DJs e produtores aposta na conexão entre cultura local, pertencimento e sonoridades eletrônicas para redefinir a presença do gênero na capital baiana

Salvador construiu sua identidade musical sendo reconhecida nacional e internacionalmente por ritmos como axé, pagodão e arrocha. No entanto, a presença da música eletrônica nesse cenário ainda costuma enfrentar barreiras culturais e estereótipos associados ao gênero.
Foi justamente diante dessa percepção que surgiu o projeto Fullmode, formado por uma dupla de DJs e produtores que decidiu ampliar a discussão sobre o espaço da música eletrônica na capital baiana. A proposta ganhou força após uma apresentação durante o Carnaval de 2026, no Camarote Salvador, e com o lançamento da faixa “Salvador”.
A ideia do projeto não é adaptar a música eletrônica de maneira superficial à cultura local, mas integrar elementos genuínos da identidade baiana à construção sonora do gênero.
Durante a apresentação no Camarote Salvador, o Fullmode apresentou um set que reuniu referências culturais e emocionais ligadas à cidade, criando uma experiência conectada ao público. Em meio ao clima carnavalesco, o show buscou demonstrar que a música eletrônica também pode ocupar espaços tradicionais da cultura baiana sem perder autenticidade.
A proposta também se materializa na música “Salvador”, construída a partir de um poema de Aloísio Menezes. A faixa percorre temas ligados à identidade, memória e pertencimento, até alcançar um momento marcante: o grito de “Salvador” imediatamente antes de um drop de house.
Mais do que um elemento estético, a composição busca reforçar a ideia de que a música eletrônica pode dialogar com a cultura baiana e fazer parte de sua narrativa musical.
Essa percepção já havia sido apresentada anteriormente no projeto Um Círculo, criado pela dupla em 2023. A iniciativa tinha como objetivo promover uma experiência coletiva unindo música, arte e conexão entre o público, propondo um formato diferente das festas eletrônicas tradicionais.
Segundo os idealizadores, o evento revelou uma resposta recorrente entre os participantes: pessoas que afirmavam não consumir música eletrônica passaram a demonstrar identificação com a proposta apresentada.
“A gente percebeu que o problema não era a música eletrônica em si, mas a forma como ela chega”, explicam. “Quando ela se conecta com algo que é familiar, culturalmente próximo, a barreira simplesmente desaparece.”
O projeto destaca que a intenção não é substituir ou negar os ritmos que historicamente ajudaram a consolidar Salvador como referência musical, mas ampliar esse território artístico.
“Já temos uma carreira de 10 anos como DJs e produtores e passamos boa parte dela buscando referências de sonoridades gringas. Só agora nos demos conta do óbvio: a resposta está dentro de casa. Salvador é uma potência musical e criativa, e esse projeto é sobre a fusão desses diferentes tipos de sons.”
A proposta parte da valorização da produção local e da possibilidade de incorporar novas linguagens musicais à identidade já reconhecida da cidade.
Confira:



Comentários: