AFROLAURO movimenta Lauro de Freitas com cultura, tradição e combate ao racismo
Evento promovido pela Prefeitura de Lauro de Freitas reúne manifestações culturais, tradições afro-brasileiras e debates sobre igualdade racial; programação continua nos dias 14 e 18 de novembro

A valorização da cultura afro-brasileira e o enfrentamento à discriminação racial ganharam destaque em Lauro de Freitas nesta quinta-feira (5). A Prefeitura realizou a abertura do AFROLAURO, evento que integra a programação do Novembro Negro e promove reflexões sobre ancestralidade, identidade e igualdade racial.
A cerimônia aconteceu no Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira, situado no Terminal Turístico Mãe Mirinha de Portão, no bairro de Portão, reunindo representantes do poder público, lideranças religiosas e integrantes da sociedade civil.
Organizada pela Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEMPADHIR), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Juventude e Lazer (SECULJE), a iniciativa tem como tema “Ìtàn – Nossa História Ancestral”.
A programação de abertura contou com apresentações artísticas, exposição de artesanato, atividades relacionadas aos conhecimentos tradicionais africanos e uma ação de doação de sangue realizada em parceria com a Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba).
Cultura afro-brasileira marca abertura do AFROLAURO
O grupo percussivo Filhos do Samba-Reggae iniciou as atividades culturais, levando ao público uma apresentação marcada pela musicalidade afro-brasileira.
Em seguida, representantes da administração municipal e da sociedade civil participaram de uma mesa de diálogo sobre a preservação das tradições africanas, o combate ao racismo e a importância histórica da população negra na formação do Brasil.
Durante o encontro, a secretária da SEMPADHIR, Silvana Santana, destacou a necessidade de transformar as reflexões do Novembro Negro em ações concretas de promoção da igualdade.
“É uma alegria muito grande dar início à nossa celebração. O mês de novembro nos convida a reconhecer a história, a força e a contribuição do povo negro na construção do Brasil. Aprendemos sobre o sofrimento da escravidão, mas também precisamos conhecer a resistência dos nossos heróis negros. Nós somos resistência”, afirmou.
A gestora também ressaltou o papel do poder público na implementação de políticas voltadas à garantia de direitos e ao enfrentamento das desigualdades.
“Não basta dizer que somos contra o racismo, é preciso agir, enfrentar, combater e transformar. Enquanto houver racismo, haverá resistência; enquanto houver desigualdade, haverá luta. E, enquanto estivermos aqui, haverá compromisso com a construção de uma sociedade onde ser negro seja motivo de orgulho, nunca de discriminação”, completou.
Ancestralidade e liberdade religiosa ganham destaque
Outro ponto central do AFROLAURO foi a valorização das religiões de matriz africana e a preservação dos conhecimentos transmitidos entre gerações.
O superintendente de Promoção da Igualdade Racial, Danilo Santos, defendeu a ampliação de iniciativas educativas que aproximem crianças e adolescentes da história e das tradições afro-brasileiras.
“É muito importante levar essa história para as escolas e para as comunidades, para que nossas crianças e nossos jovens conheçam sua ancestralidade, reconheçam sua identidade e tenham orgulho de quem são. Valorizar nossa história e nossas tradições também é uma forma de combater o racismo estrutural, institucional e religioso”, destacou.
A representante religiosa Mãe Rita, do terreiro Ilê Axé Ajá Omi Obá Irê Omo Oxé Obá, também participou das discussões e chamou atenção para a necessidade de fortalecer a união entre os povos de terreiro e assegurar o respeito à diversidade religiosa.
“É importante estarmos juntos, unificando forças e mostrando que não estamos sozinhos. Somos uma família de axé, somos fortes. Precisamos de respeito, de espaço e de políticas públicas. Chega de intolerância religiosa. Nós existimos e precisamos ter as mesmas oportunidades de crescimento que as outras religiões”, ressaltou.
Rituais tradicionais reforçam mensagem de paz e respeito
A abertura do evento também foi marcada por manifestações simbólicas ligadas às tradições do Candomblé.
Entre elas esteve o xerê, apresentado como uma roda sagrada que reúne cânticos, danças e toques de atabaques em reverência aos Orixás.
Outro momento significativo foi a amarração dos ojás, tecidos brancos colocados nas árvores para simbolizar um pedido coletivo de paz, respeito e convivência entre diferentes manifestações religiosas.
As atividades reforçaram a proposta do encontro de preservar as expressões culturais de matriz africana e ampliar o debate sobre liberdade religiosa.
AFROLAURO terá novas atividades em novembro
A programação do AFROLAURO 2026 continuará nos dias 14 e 18 de novembro, com novas atividades culturais e discussões relacionadas à identidade negra, à ancestralidade e ao enfrentamento da discriminação.
A iniciativa faz parte das ações da Prefeitura de Lauro de Freitas durante o Novembro Negro, período dedicado à valorização da história, da cultura e das contribuições da população negra para a sociedade brasileira.
Com a realização do evento, a administração municipal busca ampliar os espaços de participação social, incentivar o respeito à diversidade e fortalecer as políticas públicas de promoção da igualdade racial.



Comentários: