Acidentes de moto na Bahia aumentam e especialistas alertam para sequelas
Dados do DataSUS apontam aumento expressivo de internações no estado; ortopedista destaca impactos no joelho e recuperação que pode levar até nove meses

O número de acidentes envolvendo motocicletas segue em crescimento na Bahia e preocupa especialistas da área da saúde. Dados do DataSUS revelam que as internações relacionadas a acidentes de moto aumentaram 82,5% no estado nos últimos cinco anos. Em 2020, foram registrados 7.625 casos, enquanto em 2025 o total chegou a 13.923 ocorrências. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, já foram contabilizadas 2.340 internações em território baiano.
Além dos impactos imediatos provocados pelas colisões e quedas, médicos alertam para o aumento de lesões ortopédicas graves, principalmente na região dos joelhos. Segundo o ortopedista e especialista em cirurgia do joelho Marcelo Midlej Reis, essa articulação está entre as mais afetadas em acidentes com motociclistas.
“Em muitos acidentes, o impacto acontece diretamente nos membros inferiores. O joelho sofre torções muito bruscas, pancadas e compressões que podem causar rompimento de ligamentos, lesões de menisco, fraturas articulares e danos importantes na cartilagem”, explica.
De acordo com o especialista, parte dessas lesões exige cirurgia e um período prolongado de recuperação. Entre os procedimentos mais frequentes estão reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA), sutura ou retirada parcial do menisco e cirurgias voltadas para estabilização de fraturas na articulação.
“Dependendo da gravidade, o paciente pode ficar meses afastado do trabalho e da atividade física. Uma reconstrução ligamentar, por exemplo, costuma exigir entre seis e nove meses para recuperação mais completa. Já algumas fraturas articulares podem deixar limitações permanentes se não forem tratadas corretamente”, afirma Marcelo.
O médico também chama atenção para situações em que os sintomas demoram a aparecer, o que pode fazer vítimas minimizarem os danos após o acidente.
“Muita gente acha que, porque consegue andar, o joelho está bem. Mas existem lesões ligamentares e meniscais que evoluem de forma silenciosa. Meses depois aparecem sintomas como falseio, dor persistente, inchaço e perda de força”, destaca.
Durante a campanha Maio Amarelo, voltada à conscientização sobre segurança no trânsito, o especialista reforçou a importância da prevenção e da busca por avaliação médica após qualquer acidente, mesmo em casos considerados leves.
“Quando falamos em acidente de trânsito, muitas pessoas pensam apenas no risco imediato. Mas as sequelas ortopédicas podem acompanhar o paciente por anos e mudar completamente sua qualidade de vida”, conclui.
Com dez anos de atuação, Marcelo Midlej Reis é especialista em ortopedia, traumatologia e cirurgia do joelho. Atualmente, atua como diretor do Instituto Pró-Saúde, em Salvador, além de integrar a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) e a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).



Comentários: