ACB avalia avanço na elevação do teto do MEI, mas pondera impactos de custos operacionais

Entidade liderada por Isabela Suarez destaca a importância da proposta aprovada na Câmara, defende a atualização do Simples Nacional e alerta para os reflexos de mudanças na jornada de trabalho sobre os pequenos negócios

Bahia
ACB avalia avanço na elevação do teto do MEI, mas pondera impactos de custos operacionais
Foto: Acervo/ACB

A aprovação do projeto que amplia o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) pela Câmara dos Deputados atende a uma reivindicação histórica da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

Para a Associação Comercial da Bahia (ACB), embora a medida represente um avanço expressivo para a formalização e o crescimento das microempresas, ela deve integrar uma pauta econômica mais abrangente, que inclua a atualização do Simples Nacional, a desburocratização e mecanismos de apoio à competitividade do setor produtivo.

A proposta, aprovada no Poder Legislativo nesta quarta-feira (14), estabelece a elevação gradual do teto do MEI — atualmente fixado em R$ 81 mil. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e alcançará R$ 140 mil em 2028. A matéria também autoriza a contratação de até dois empregados por microempreendedor e introduz condições facilitadas para a regularização de débitos tributários. O projeto segue agora para apreciação no Senado Federal, mantendo-se em vigor as regras atuais até a conclusão do trâmite legislativo.

Avaliação do setor e os impactos operacionais no comércio

Sob a condução da presidente Isabela Suarez, a ACB tem atuado de forma contínua em defesa da adequação dos limites do MEI e do Simples Nacional às transformações inflacionárias e à realidade do mercado brasileiro. Contudo, a entidade ressalta que a ampliação do teto de faturamento não pode ser analisada de forma isolada do conjunto de obrigações e custos operacionais que afetam os pequenos estabelecimentos.

A presidente da entidade chamou a atenção para o efeito simultâneo de possíveis alterações nas regras relativas à jornada de trabalho, as quais podem pressionar as despesas operacionais do comércio de bairro e dos pequenos prestadores de serviços.

“O aumento do teto do MEI atende a uma reivindicação antiga, mas precisamos olhar para essa equação como um todo. De um lado, temos a perspectiva de ampliar o limite de faturamento dos pequenos negócios; de outro, mudanças nas regras de jornada de trabalho vão elevar os custos de operação. Como o pequeno comerciante de bairro vai absorver esses custos e manter seu negócio funcionando? Não podemos tomar decisões de forma isolada, sem avaliar seus impactos e discutir mecanismos que permitam às empresas se adaptar. É preciso responsabilidade, diálogo com quem empreende e medidas que garantam condições reais para continuar gerando emprego e renda”, afirma Isabela Suarez.

Defesa do Simples Nacional e simplificação burocrática

Para a Associação Comercial da Bahia, a consolidação dos pequenos negócios exige a estruturação de uma agenda econômica nacional contínua e equilibrada. Entre as prioridades apontadas pela instituição estão o reajuste das faixas de enquadramento do Simples Nacional, a redução de obrigações acessórias e a garantia de segurança jurídica para os empreendedores.

A entidade sustenta que as deliberações com impacto direto sobre a atividade econômica e a geração de empregos devem ser pautadas pelo planejamento e pelo diálogo transparente com o setor produtivo, evitando que disputas ou interesses eleitorais sobreponham-se à sustentabilidade das empresas.

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