75% dos brasileiros defendem proibição das bets; veja o que diz pesquisa
Levantamento mostra rejeição às apostas online, apoio a mais impostos e restrições à publicidade das plataformas

As apostas online, conhecidas como bets, são vistas de forma negativa pela maioria dos brasileiros, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23). O levantamento aponta que 75% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, que as plataformas deveriam ser proibidas no país.
O percentual representa uma alta em relação a abril, quando 73% defendiam a proibição. Na nova pesquisa, 17% discordam da medida e 8% não concordam nem discordam.
A pesquisa ouviu 5.015 pessoas da população adulta brasileira entre os dias 17 e 22 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04739/2026.
Maioria vê mais prejuízos
A percepção negativa aparece também quando os entrevistados são questionados sobre os efeitos das bets para a sociedade.
Segundo o levantamento, 59,9% afirmam que as apostas online trazem somente prejuízos, enquanto outros 28,6% avaliam que elas provocam mais prejuízos do que benefícios.
Com isso, 88,5% consideram que as bets trazem mais ou somente prejuízos para a sociedade.
A avaliação é ainda mais negativa entre alguns grupos. Entre as mulheres, 64,6% apontam somente prejuízos, contra 54,3% dos homens. Entre pessoas com ensino superior, o percentual chega a 70,3%. Na faixa de renda acima de R$ 10 mil, são 71,9%.
Apoio a mais impostos e limite na publicidade
A pesquisa também mediu a concordância dos brasileiros com diferentes medidas relacionadas às apostas online.
A cobrança de mais impostos das empresas de bets recebeu 81% de concordância total e 3% de concordância parcial, totalizando 84%.
A limitação da publicidade das plataformas teve apoio de 79% dos entrevistados, sendo 73% de concordância total e 6% parcial.
Já a proibição das apostas alcançou os 75% de concordância total ou parcial.
Outro dado mostra que 66% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, que menores de idade têm fácil acesso às plataformas.
Por outro lado, a ideia de que as bets podem funcionar como uma forma de complemento de renda ou investimento teve rejeição de 88%: 84% discordaram totalmente e 4% discordaram parcialmente.
Quem os entrevistados apontam como responsável?
O levantamento também perguntou aos entrevistados quem seria o principal responsável pela disseminação das apostas online no Brasil.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 36%, seguido pelo governo Jair Bolsonaro, com 25,4%. O Congresso Nacional foi citado por 16,5%, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) aparece com 0,7%.
Outros 6,4% responderam que nenhum dos citados é responsável, e 15% disseram não saber.
Em abril, o governo Lula havia sido citado por 35,3% dos entrevistados, enquanto o governo Bolsonaro aparecia com 26,2%. A parcela que apontava o Congresso era de 11,8%.
Diferenças entre grupos políticos
A percepção sobre a responsabilidade pela disseminação das bets varia de acordo com a preferência política declarada pelos entrevistados.
Entre os homens, 47,1% atribuem a responsabilidade ao governo Lula. Entre as mulheres, 32,2% apontam o governo Bolsonaro e 26,2% citam o governo Lula.
Entre os eleitores que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 66,9% apontam o governo Lula como principal responsável.
Já entre os eleitores de Lula naquele pleito, 47,6% atribuem a responsabilidade ao governo Bolsonaro, enquanto 23% citam o Congresso Nacional e 7% apontam o próprio governo Lula.
Proibição ganhou apoio desde abril
A comparação com o levantamento anterior mostra aumento na parcela que concorda com a proibição das bets.
Em abril, 73% eram favoráveis à medida. Agora, o percentual chegou a 75%. No sentido contrário, a parcela que discordava caiu de 21% para 17%.
Entre as mulheres, 79% concordam totalmente com a proibição, contra 63% dos homens.
A diferença também aparece nos recortes de posicionamento político. A concordância total chega a 85% entre pessoas identificadas com a esquerda não lulista e a 81% entre a esquerda lulista. Na direita bolsonarista, o percentual é de 63%.
O levantamento faz parte da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em setembro de 2026 e também abordou outros temas da conjuntura nacional.



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