Vereadora questiona gasto de R$ 177 milhões com eventos e cobra prioridades na gestão de Salvador
Marta Rodrigues aponta perda real de arrecadação e diz que valor supera orçamento de áreas essenciais

A vereadora Marta Rodrigues questionou a destinação de R$ 177 milhões ao programa Salvador Capital da Alegria em 2025 e apontou perda real de arrecadação do município. A crítica foi feita nesta sexta-feira (27), durante audiência pública de apresentação do Relatório de Gestão Fiscal do 3º quadrimestre, na Câmara Municipal de Salvador.
Segundo a parlamentar, o montante destinado ao programa de eventos supera o orçamento de diversas áreas consideradas estruturantes, como saneamento, transporte, habitação, assistência social, gestão ambiental, direitos humanos e desenvolvimento urbano. Para ela, a comparação evidencia um desequilíbrio nas prioridades da gestão.
“Somados esses recursos essenciais e fundamentais, o total chega a aproximadamente R$ 165 milhões, ou seja, cerca de R$ 12 milhões a menos do que foi destinado apenas aos eventos, que incluem valores destinado a shows, cachês artísticos, estruturas, direitos autorais e demais custos operacionais do calendário de evento”, explica.
A vereadora afirmou que o debate não é contra a realização de festas, mas sobre a definição de prioridades. “Estamos falando que o valor supera o conjunto de áreas estruturantes que impactam diretamente a qualidade de vida da população, que podem ter valores maiores e mais condizentes com sua importância”, afirmou.
Durante a audiência, Marta também relacionou o cenário de gastos à situação fiscal apresentada pela prefeitura. De acordo com ela, as receitas municipais tiveram aumento nominal de 1,5% em 2025 na comparação com 2024, mas registraram variação real negativa de 3,4%, indicando perda no poder de arrecadação.
A parlamentar destacou ainda que o percentual de despesas empenhadas atingiu 87,30% do previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), o menor índice de execução dos últimos anos. “Temos perda real de arrecadação, temos o menor índice de execução orçamentária recente, e ao mesmo tempo vemos um volume expressivo de recursos concentrado em uma única subfunção. É legítimo questionar quais são as prioridades da gestão”, declarou.
Ela acrescentou que nenhuma das 23 funções orçamentárias atingiu integralmente o percentual previsto na LOA de 2025, o que, segundo a vereadora, reforça a necessidade de maior alinhamento entre planejamento e execução.
A audiência contou com a presença da secretária da Fazenda, Giovanna Victer, além de vereadores e representantes da sociedade civil. Para Marta Rodrigues, os dados apresentados indicam a necessidade de reflexão sobre a alocação de recursos públicos. “Governar é escolher. E essas escolhas precisam estar conectadas com as demandas permanentes da cidade, com transparência e responsabilidade fiscal”, concluiu.



Comentários: