UPB propõe pacto histórico para limitar gastos dos municípios no São João da Bahia

Prefeitos baianos discutem teto de gastos, regras para contratação de artistas e ação integrada com órgãos de controle e estados do Nordeste

UPB propõe pacto histórico para limitar gastos dos municípios no São João da Bahia
Foto: Reprodução/Sou da Bahia

O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, anunciou nesta sexta-feira (30) a criação de um pacto entre os prefeitos baianos para estabelecer limites de gastos públicos nas festas de São João de 2026. A iniciativa busca combater distorções no mercado de shows, garantir responsabilidade fiscal e evitar o encarecimento excessivo das contratações artísticas.

Entre as principais medidas em discussão estão a definição de um teto de gastos e a criação de regras específicas para a contratação de artistas. Segundo Wilson Cardoso, uma comissão formada por prefeitos de municípios com tradição em grandes festejos juninos já foi criada para elaborar as diretrizes do acordo.

Integram o grupo gestores de Serrinha, Santo Antônio de Jesus, Jequié, Senhor do Bonfim, Cruz das Almas e Conceição da Feira. O colegiado será responsável por propor critérios equilibrados que respeitem o porte de cada município e o histórico de investimentos realizados nos últimos anos.

De acordo com o presidente da UPB, a proposta inicial prevê que os municípios não ultrapassem um aumento superior a 10% em relação aos gastos do São João do ano anterior. “A ideia é ajustar e não permitir distorções. Se um artista teve um cachê exorbitante no ano passado, ele vai ter que se adequar. Não vamos repetir gastos desproporcionais”, afirmou.

Wilson Cardoso informou ainda que a comissão se reunirá com órgãos de controle, como o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público da Bahia. O encontro contará com a presença do presidente do TCM, Francisco Netto, do presidente do TCE, além do procurador-geral Pedro Maia e da promotora Larissa Tourinho.

O movimento, segundo o dirigente, já ganhou adesão da sociedade e tende a ser aceito também pelos artistas. “Vamos fazer talvez um São João ainda melhor do que o do ano passado, mas com responsabilidade e preço justo”, destacou.

A proposta baiana também já repercute em outros estados do Nordeste. Wilson Cardoso revelou que associações municipais de toda a região discutem medidas semelhantes para evitar a migração de cachês inflacionados entre estados. “É uma ação integrada do Nordeste para evitar que valores abusivos saiam de um estado e encareçam o outro”, explicou.

Outro ponto central do pacto é combater a concentração do mercado artístico em poucos escritórios. “O objetivo maior é evitar cartel. Não é possível que dois ou três escritórios controlem artistas e imponham valores. Isso torna o sistema insustentável”, alertou.

O presidente da UPB ressaltou ainda que a estrutura das festas será proporcional à capacidade de cada município. “Municípios pequenos terão estruturas menores, enquanto grandes eventos terão investimentos compatíveis, sempre de forma equilibrada e responsável”, concluiu.

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