SUS atualiza rastreamento do câncer de colo do útero; saiba mais
Nova versão do Guia Prático da Fundação do Câncer orienta profissionais de saúde sobre a transição do Papanicolau para o teste molecular, ampliando a detecção precoce da doença

A Fundação do Câncer lançou na última quinta-feira (8) a nova versão do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, como parte do Janeiro Verde, mês de conscientização e prevenção da doença. O destaque desta atualização é a transição do tradicional exame Papanicolau para o teste molecular DNA-HPV, que já está sendo implementado gradativamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, a vacinação contra o HPV e o rastreamento da doença passaram por importantes mudanças nos últimos anos. “Houve uma ampliação da vacinação do público-alvo e a incorporação dos testes moleculares para detecção do HPV oncogênico”, explicou.
O teste molecular DNA-HPV identifica o vírus antes que ele cause alterações celulares, ampliando a capacidade de detecção precoce. Enquanto o Papanicolau detecta alterações já existentes, o novo exame garante mais precisão e permite ampliar o intervalo do rastreamento para cinco anos em mulheres com resultado negativo.
O público-alvo da testagem permanece de 25 a 64 anos, seguindo as novas diretrizes brasileiras aprovadas pela Conitec. Mulheres com resultados positivos para os tipos mais perigosos de HPV (16 e 18) são encaminhadas imediatamente para colposcopia, exame que permite detectar precocemente lesões precursoras do câncer.
A mudança faz parte da adesão do Brasil à Estratégia Global da OMS para eliminação do câncer de colo do útero, que estabelece metas até 2030: vacinar 90% das meninas até 15 anos, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% das pacientes diagnosticadas.
Além do rastreamento, a vacinação contra o HPV continua sendo a forma mais eficaz de prevenção primária, disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e para grupos prioritários, como pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos e vítimas de abuso sexual.
Segundo Flávia Corrêa, o novo teste DNA-HPV aproxima o Brasil de países referência, como a Austrália, que registrou quedas expressivas na incidência da doença após adotá-lo como principal método de rastreamento. “Não basta mudar o teste. Toda a rede de cuidado e prevenção precisa estar estruturada para garantir a saúde da mulher”, concluiu.
O Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero já está disponível e orienta profissionais de saúde sobre como conduzir a transição do Papanicolau para o teste molecular DNA-HPV de forma segura e eficaz.



Comentários: