Sem Lula, Mercosul e União Europeia oficializam acordo comercial
Tratado histórico entre Mercosul e União Europeia reúne 780 milhões de consumidores, mas presidente brasileiro não participa da cerimônia no Paraguai

A assinatura do aguardado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, negociado ao longo de mais de 25 anos, acontece neste sábado (17), em Assunção, capital do Paraguai. O evento, no entanto, ocorre sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O Paraguai sedia a cerimônia por ocupar a presidência rotativa do Mercosul. O tratado estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores e abrangendo aproximadamente 25% do PIB global.
Com a autenticação do acordo, os dois blocos econômicos se comprometem a eliminar gradualmente tarifas de importação sobre a maior parte dos produtos comercializados entre Europa e América do Sul, ampliando o fluxo comercial e investimentos bilaterais.
A ausência de Lula se deve a uma mudança no formato do encontro. Inicialmente, a previsão era de uma assinatura em nível ministerial, já que o acordo é formalmente celebrado pelos ministros dos países signatários. Contudo, a presidência paraguaia decidiu ampliar a reunião para incluir chefes de Estado, o que levou o Palácio do Planalto a reconsiderar a participação do presidente.
Mesmo sem Lula, a cerimônia contará com a presença de importantes lideranças internacionais, como os presidentes Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai) e Rodrigo Paz (Bolívia), além de representantes da União Europeia.
Na sexta-feira (16/1), Lula se reuniu no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para celebrar politicamente o avanço do tratado. No encontro, o presidente brasileiro classificou o pacto como uma “parceria baseada no multilateralismo”, destacando valores compartilhados como democracia e direitos humanos.
Von der Leyen elogiou o empenho do governo brasileiro nas negociações e defendeu relações comerciais fundamentadas em regras claras, cooperação e respeito institucional. O encontro foi interpretado como um gesto de reconhecimento ao protagonismo do Brasil na retomada do acordo.
Apesar da assinatura, o tratado ainda precisará passar por um longo processo de ratificação nos parlamentos nacionais dos países do Mercosul, da União Europeia e pelo Parlamento Europeu. A expectativa é que a análise no bloco europeu ocorra a partir do final de abril, mas o processo enfrenta resistência de setores industriais e agrícolas, especialmente na Europa.
O governo brasileiro avalia que a aprovação no Congresso Nacional será célere e projeta que o acordo entre em vigor no segundo semestre deste ano.
Entenda o acordo Mercosul–União Europeia
Do lado europeu, o tratado prevê a abertura gradual do mercado do Mercosul para produtos industriais, como automóveis, máquinas, equipamentos, medicamentos e bebidas. Em contrapartida, os países sul-americanos ganham maior acesso ao mercado europeu para produtos agropecuários, como carne, açúcar, etanol, suco de laranja e soja.
O texto também estabelece normas sobre compras governamentais, serviços, propriedade intelectual e mecanismos de solução de controvérsias. Um dos pontos mais sensíveis é o capítulo ambiental, revisado para incluir compromissos com o Acordo de Paris e o combate ao desmatamento.



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