São Tomé de Paripe: veja como pescadores afetados por contaminação podem receber apoio da Prefeitura
Iniciativa começou nesta quarta-feira (8)

A Prefeitura de Salvador iniciou, nesta quarta-feira (8), uma ação emergencial conjunta para beneficiar a comunidade de marisqueiras, pescadores e ambulantes da região de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, que vem sendo diretamente impactada pela contaminação por produtos químicos na praia local.
A iniciativa inclui a entrega de cestas básicas, divulgação do restaurante popular e atualização do Cadastro Único para acesso a programas sociais, entre outros serviços.
A ação é promovida pelas secretarias municipais de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) e Especial do Mar (Semar), e atende 626 famílias desse grupo social.
O atendimento ocorre até esta quinta-feira (9), na Escola Municipal Otaciano Pimenta, das 8h às 17h, e é voltado a pessoas previamente cadastradas na Sempre.
Além da entrega de cestas básicas, a iniciativa busca facilitar o acesso das famílias ao Cadastro Único, evitando que precisem se deslocar até o bairro do Comércio, onde está localizada a central do serviço. Assim, os afetados poderão solicitar programas sociais do governo federal, como o Seguro-Defeso.
O que dizem os secretários?
De acordo com o titular da Sempre, Júnior Magalhães, o apoio às pessoas economicamente afetadas pela contaminação do mar na região é fundamental para garantir assistência às famílias.
“Estamos diante de um quadro social alarmante, e a nossa preocupação é social. Por isso, estamos atuando aqui, atendendo às pessoas que foram diretamente impactadas, pois fazem do mar o ganha-pão e o sustento de suas famílias. Sabemos que a situação de vulnerabilidade social é grande e, sem o sustento e a renda complementar, isso agrava ainda mais o cenário”, afirmou.
A secretária especial do Mar, Maria Eduarda Lomanto, destacou que a iniciativa chama atenção para os diversos impactos sociais provocados por um problema ambiental.
“O papel do município é acolher, entender as dificuldades e olhar com carinho para os pescadores e marisqueiros da nossa cidade. Para nós, o principal é pensar no futuro dessas pessoas, no que vai acontecer a partir de agora. A Prefeitura está atenta a tudo isso. Os CRAS estão de portas abertas, assim como as UPAs, os postos de saúde e os programas sociais. Estamos acompanhando tudo, com atenção ao que acontece na cidade”, completou.
Prejuízos
A praia de São Tomé de Paripe foi interditada no dia 11 de março, após análise técnica do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que constatou contaminação por cobre e nitrato na faixa de areia, onde também foram registradas manchas azuladas e amareladas, além de mortes de animais marinhos.
As substâncias podem causar riscos à saúde, como infecções, hepatite A e conjuntivite.
O terminal foi suspenso temporariamente, mas já foi liberado. A investigação segue, conforme informou a gestão estadual.
Entre os prejudicados pela contaminação está a marisqueira Ediunice Oliveira, de 55 anos.
Ela contou que a situação impactou diretamente sua rotina, comprometendo seu principal sustento.
“Nessa época, por conta da Semana Santa, era para estarmos ganhando dinheiro. Mas não tivemos condições de pescar, porque a maré está contaminada e os pescados estão morrendo. Já são quase três meses. Perdemos não só o sustento, mas também o lazer, que é a praia, além de um recurso natural essencial para a nossa sobrevivência. Essa ação vai ajudar muito, porque estamos sem ter como sobreviver. O benefício vem para ajudar. Me sinto vista, e isso é muito importante”, afirmou.



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