São João em alerta: prefeitos defendem teto de gastos para contratações de artistas

Prefeitos baianos e integrantes da diretoria da União dos Municípios da Bahia (UPB) discutiram, nesta terça-feira (20)

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São João em alerta: prefeitos defendem teto de gastos para contratações de artistas
Foto: Reprodução/Sou da Bahia

Prefeitos baianos e integrantes da diretoria da União dos Municípios da Bahia (UPB) discutiram, nesta terça-feira (20), a necessidade de estabelecer critérios e um possível teto para a contratação de artistas nos tradicionais festejos juninos espelhado, principalmente, nos municípios do interior do estado. O tema deve ser levado ao Ministério Público (MP-BA) e aos Tribunais de Contas, como forma de conter o crescimento acelerado dos gastos públicos com eventos.

O debate ocorreu após reunião na sede da UPB, realizada inicialmente para tratar da adequação da alíquota do INSS das prefeituras à realidade financeira dos municípios, mas acabou ampliado diante da preocupação generalizada com o custo do São João.

Presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso (PSB) defendeu a construção de um entendimento institucional com os órgãos de controle para evitar distorções nos valores pagos por shows. Segundo ele, há casos em que a mesma banda é contratada por valores muito diferentes em municípios vizinhos, o que gera pressão política e social sobre gestões com menor capacidade de arrecadação. “Está na hora de tabelar. Não é razoável um município contratar uma banda por R$ 600 mil e outro pagar R$ 400 mil pelo mesmo artista. Isso não pode acontecer”, afirmou.

Wilson destacou ainda que o MP e os Tribunais de Contas já demonstraram interesse em discutir o tema, inclusive com foco na transparência das contratações e na sustentabilidade das festas juninas nos 417 municípios baianos.

O que diz o Executivo municipal

O prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), reforçou que a alta demanda no período junino tem permitido que artistas elevem os cachês de forma desordenada. Para ele, a criação de um “preço médio” ou limite de contratação é essencial para garantir equilíbrio fiscal. “O São João começou com um custo e hoje está dez vezes maior do que há cinco ou seis anos. Se continuar assim, daqui a três anos nenhum município baiano vai ter condição de fazer festa”, alertou.

Zé Cocá também apontou desigualdades no acesso a recursos e emendas parlamentares, o que agrava a situação de municípios menores. “Tem cidade que consegue muito recurso, outras não conseguem nada. Essa padronização é fundamental para garantir que todos possam realizar seus festejos”, disse.

Já o prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos (União), fez questão de frisar que a discussão não é contra artistas ou produtoras, mas em defesa do erário público. Segundo ele, os reajustes nos cachês não seguem qualquer índice inflacionário razoável. “Artistas que tocaram por R$ 500 mil no ano passado agora estão cobrando R$ 800 mil. Isso é impossível para os municípios. Tornou-se insuportável”, afirmou.

Carlos Matos ressaltou ainda que a Bahia, maior mercado de festas juninas do país, corre o risco de perder protagonismo se não houver equilíbrio entre tradição cultural e responsabilidade fiscal.

Valorização dos artistas locais

Ao final, Wilson Cardoso destacou que a proposta também pode abrir espaço para a valorização dos artistas locais, por meio de critérios como rodízio regional e incentivo à circulação entre municípios vizinhos. “Isso dá esperança aos artistas da terra e fortalece a cultura local. A população também quer ver quem já é da região nos palcos”, concluiu.

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