Samba dá o tom do Carnaval com blocos temáticos em Salvador; confira programação

O dia surgiu como uma forma de resgate histórico e cultural, colocando em evidência o samba de raiz

Salvador
Samba dá o tom do Carnaval com blocos temáticos em Salvador; confira programação
Foto: Divulgação

“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é”, já cantava o poeta e compositor Dorival Caymmi ao exaltar a força popular e a essência do ritmo que atravessa gerações. Além de ser o tema do Carnaval de Salvador 2026, o gênero musical assume protagonismo na abertura da programação oficial, com a tradicional Quinta do Samba, no Circuito Osmar (Campo Grande), no coração da cidade.

O dia surgiu como uma forma de resgate histórico e cultural, colocando em evidência o samba de raiz, os blocos tradicionais e os artistas que pavimentaram o caminho da festa antes da explosão dos trios elétricos.

Uma das agremiações destaques na avenida, o Alerta Geral desfilará no dia 12 de fevereiro sob o enredo “Samba é ancestral, Samba é Bahia. Tradição Secular de Um Povo Que Canta”. Além de artistas baianos, o bloco vai homenagear o sambista Arlindo Cruz, falecido ano passado. Entre as participações confirmadas estão Arlindinho, Fred Camacho, Anderson Bombom, Davi e Fundo de Quintal.

“Homenagear o samba em 2026 é excelente, porque trata-se de um ritmo que está sempre em evidência. Me sinto feliz em ter o bloco como um dos mais fortes da avenida em termos de samba, no começo de tudo”, celebra o presidente do Alerta Geral, José Luís Lopes, conhecido como Zé Arerê.

Além do Alerta Geral, são destaques no dia blocos como Amor e Paixão, Pagode Total e Proibido Proibir.

Pioneirismo

“Alvorada lá no morro, que beleza; ninguém chora, não há tristeza”. Os versos de Cartola parecem feitos sob medida para o Alvorada, o primeiro bloco de samba de Salvador, fundado em 1975, e que ecoa o gênero musical para a sexta-feira de festa, também no Circuito Osmar.

Sob o comando de Vadinho França, 69 anos, o bloco nasceu da união de estudantes do Colégio Severino Vieira, que decidiram estender a amizade para além da sala de aula.

“Na época, o Carnaval era a partir de sábado e, como a gente costumava sair nos blocos nesses dias normais, decidimos sair na sexta-feira. E ficou estabelecido que seria uma agremiação de samba. Não era opção e, sim, regra”, disse França.

Desde a sua criação, o Alvorada mantém forte relação com o público, seja nas questões religiosas, de gênero e música. “A quinta do samba existe, mas quem legitimou a nossa sexta foi o povo. Nós conseguimos isso com perseverança e resistência. E isso fez de nós um bloco respeitado”, acrescentou o presidente.

Os foliões saem no estilo sambista, com calça branca, camisa com o tema do ano, chapéu e um lenço, que já se tornou marca registrada do Alvorada. Em 2026, as homenagens serão para Nengua Guanguacesse, a Dona Olga Conceição Cruz, uma das grandes matriarcas do Terreiro Bate Folha, símbolo de sabedoria, afeto e transformação.

Vadinho relembra que, para além do Carnaval, o samba sempre foi ferramenta de resistência, identidade e preservação cultural. “São 51 anos de Alvorada, e eu sou parte dessa história na salvaguarda dessa manifestação histórica e cultural”.

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