“Sagrado e profano juntos”: Lavagem do Bonfim abre a temporada de festas populares da Bahia

Cortejo religioso tomou as ruas da capital nesta quinta (15), reunindo fé, cultura popular e celebração coletiva

Salvador
“Sagrado e profano juntos”: Lavagem do Bonfim abre a temporada de festas populares da Bahia
Bruno Monteiro, secretário de Cultura da Bahia | Reprodução / Redes Sociais

As portas da Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia se abriram minutos antes das 7h desta quinta-feira, 15, dando início oficial à Lavagem do Bonfim, uma das manifestações mais simbólicas da cultura baiana. Pouco depois, a imagem do Senhor do Bonfim deixou o templo e passou a conduzir o tradicional cortejo rumo à Colina Sagrada, em um percurso de aproximadamente oito quilômetros pelas ruas de Salvador.

Vestidos majoritariamente de branco, fiéis, moradores e turistas repetiram um lema que atravessa gerações e define o espírito da celebração: “quem tem fé vai a pé”. Ao longo do trajeto, o caminhar coletivo transformou avenidas em espaços de devoção, encontro e resistência cultural.

Sagrado e profano lado a lado

Considerada uma das festas mais potentes do calendário cultural da Bahia, a Lavagem do Bonfim é marcada pela convivência entre o catolicismo e o candomblé, unindo o culto ao Senhor do Bonfim e a Oxalá. No mesmo espaço, fé, música, manifestações populares e expressões identitárias se misturam, reforçando a singularidade da tradição baiana.

Para o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, a celebração simboliza muito mais do que um evento religioso. Segundo ele, a Lavagem representa a abertura oficial da temporada de festas populares do estado e um momento de forte conexão com a identidade do povo baiano.

“É um momento de fé, de celebração e de cultura, em que o sagrado e o profano se misturam na avenida. Isso revela o que há de mais rico na tradição do povo baiano”, destacou.

Cultura valorizada e presença do Estado

O Governo do Estado marcou presença na celebração, reforçando o compromisso com a valorização da cultura popular. De acordo com Bruno Monteiro, em 2026, o programa Ouro Negro apoia 11 entidades culturais que participam da Lavagem do Bonfim, fortalecendo a ligação entre a festa e as expressões identitárias da Bahia.

“Essa conexão entre tradição e cultura popular é algo que queremos sempre preservar. É um momento de agradecimento, mas também de pedir as bênçãos do Senhor do Bonfim para que a Bahia siga com fé e em frente”, afirmou o secretário.

Cuidado com quem faz a festa

Ao longo do percurso, pontos de hidratação foram montados para garantir o bem-estar dos participantes. Cerca de 100 mil copos de água estão sendo distribuídos gratuitamente pelo Governo do Estado, por meio da Embasa e do Corpo de Bombeiros. Os pontos fixos funcionam no Trapiche Barnabé, Mercado do Peixe, Corpo de Bombeiros da Calçada, Largo de Roma e na Igreja do Bonfim.

Outro momento aguardado pelos fiéis é o tradicional “banho” do Corpo de Bombeiros, que voltou a refrescar o público durante o trajeto. A ação, realizada com mangueiras e equipes móveis, se consolidou como símbolo de acolhimento, cuidado coletivo e alívio diante do calor intenso.

Escadarias lavadas e pedidos renovados

A Lavagem das escadarias da Basílica Santuário Senhor do Bonfim acontece ao longo do dia, encerrando o cortejo e renovando pedidos de paz, saúde e proteção para o ano que se inicia. Mais uma vez, Salvador transforma fé em movimento, tradição em resistência e cultura em celebração coletiva.

Comentários:

Ao enviar esse comentário você concorda com nossa Política de Privacidade.

Logo Sou da Bahia
Resumo das Políticas

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.