Quem abre o Carnaval em Salvador? Veja como a ordem é definida

Regra criada nos anos 1990 define a ordem dos trios, mas decisão final passa pela Prefeitura

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Quem abre o Carnaval em Salvador? Veja como a ordem é definida
Decisão final passa pela Prefeitura | Divulgação

No Carnaval de Salvador, tradição pesa — e muito. O velho ditado “antiguidade é posto” voltou ao centro do debate depois que a Justiça atendeu a um pedido de Daniela Mercury e determinou que o bloco Crocodilo abra os desfiles de domingo no circuito Barra-Ondina.

A decisão reacendeu a discussão sobre como é definida a fila dos trios na maior festa de rua do país.

Antiguidade é o principal critério

A ordem dos desfiles segue regras estabelecidas ainda na década de 1990. Em 1994, uma assembleia com participação de blocos de trio, afros e afoxés definiu que o tempo de atuação em determinado circuito, dia e horário seria o critério central para organizar a sequência.

Desde então, a tradição acumulada passou a ser o fator determinante na montagem da fila.

Quem organiza — e quem dá a palavra final

O Conselho Municipal do Carnaval é responsável por elaborar a resolução com a ordem dos desfiles. No entanto, a decisão definitiva cabe à Prefeitura de Salvador, já que o conselho não possui orçamento próprio para administrar a festa.

Na prática, apesar da regra da antiguidade, blocos comandados por grandes artistas costumam ocupar horários mais valorizados, especialmente aqueles com maior apelo turístico e midiático. A pesquisadora Naiara da Cunha Vieira aborda essa dinâmica no estudo “Carnaval de Salvador: Discutindo a Gestão da Festa”.

Relatos de negociação irregular

Há registros de suposta venda ou aluguel de posições na fila, segundo a pesquisadora. Blocos com horários considerados privilegiados teriam repassado suas vagas a outras atrações. A prática, no entanto, é apontada como ilegal.

Crocodilo recorreu à Justiça

O impasse ganhou novo capítulo quando o bloco Crocodilo questionou a mudança na ordem prevista para 2026. A empresa responsável pela agremiação alegou que o grupo desfila no circuito Barra-Ondina desde 1996, de forma ininterrupta, o que garantiria direito de preferência.

Na análise inicial do caso, o juiz Murillo David Brito reconheceu indícios do direito do bloco. Ele destacou o histórico consolidado do Crocodilo e citou a norma que assegura proteção a blocos com mais de dez anos consecutivos de desfile.

Liminar fixa multa em caso de descumprimento

A decisão determinou o restabelecimento da posição tradicional do bloco Crocodilo, garantindo a abertura do domingo no Barra-Ondina. Em caso de descumprimento, foi estipulada multa diária de R$ 100 mil.

No Carnaval de Salvador, onde cada minuto na avenida vale ouro, a ordem dos trios vai muito além da festa — envolve tradição, visibilidade e disputa por espaço.

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