Projeto da Prefeitura leva debate sobre violência contra a mulher a escola de Camaçari

Iniciativa da Secretaria da Mulher integra as ações do Março Mulher e busca conscientizar jovens sobre direitos, prevenção à violência e igualdade de gênero.

Bahia
Projeto da Prefeitura leva debate sobre violência contra a mulher a escola de Camaçari
Fotos: Patrick Abreu

A Escola Municipal Cosme de Farias, em Camaçari, recebeu na manhã desta sexta-feira (6) uma ação do projeto “Respeito é a Base”, que promove debates sobre o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. A iniciativa integra a programação do Março Mulher, em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

A atividade é desenvolvida pela Prefeitura de Camaçari, por meio da Secretaria da Mulher (Semu), e envolveu toda a comunidade escolar — incluindo alunos, professores, pais e responsáveis — da unidade localizada no bairro Phoc I. A escola atende cerca de 380 estudantes dos anos finais do ensino fundamental.

A palestra foi conduzida por técnicas do Núcleo Pedagógico (Nuped) da Semu. Uma das palestrantes, Valdeci Almeida, destacou que o objetivo da ação é ampliar a conscientização de crianças e adolescentes sobre políticas públicas voltadas às mulheres e os direitos garantidos por lei.

“Temos enfrentado índices altos de feminicídio, de violência e também de desrespeito dentro dessa faixa etária. Então abordamos essa questão para que eles fiquem cientes de quais são os seus direitos e também dos seus deveres. Ainda existem adolescentes que passam por situações de violência doméstica e precisam saber identificar esses sinais e também ser acolhidos”, ressaltou a profissional, licenciada em Ciências Biológicas.

A atividade também contou com a participação da especialista em gênero Ana Clécia Pereira, que destacou a importância de discutir o tema no ambiente escolar e de promover reflexões sobre igualdade e respeito.

“Queremos que os alunos, o corpo docente e toda a comunidade escolar façam uma reflexão sobre as políticas afirmativas de gênero na educação e sobre como a violência doméstica e familiar afeta diretamente o aprendizado de crianças e adolescentes. Hoje mesmo tivemos vários depoimentos. Nosso intuito é mostrar aos meninos que precisamos construir uma masculinidade positiva, com homens mais sensíveis, que respeitem limites e saibam aceitar o ‘não’. E, ao mesmo tempo, incentivar as meninas a não aceitarem o machismo no dia a dia e a identificarem as diferentes formas de violência”, explicou.

Entre os estudantes presentes, a aluna Brenda Santana, de 12 anos, avaliou a iniciativa de forma positiva e destacou a importância do debate entre os jovens.

“Gostei muito. Este é um tema que já tratamos em sala de aula e que é muito importante. Muitas vezes os meninos acham que têm o direito de bater nas meninas, então eles precisam se conscientizar. E para nós também é importante saber como agir em uma situação de violência”, afirmou a estudante do 7º ano.

A ação também contou com a presença de familiares dos alunos, reforçando a parceria entre escola e comunidade na formação cidadã dos jovens. Patrícia dos Santos, de 39 anos, mãe da estudante Pâmela dos Santos, também do 7º ano, destacou a relevância da atividade.

“Achei muito bom. Sempre que tem atividade na escola voltada para as famílias faço questão de participar. É importante que mais pais e mães venham, ainda mais quando o assunto é violência contra a mulher, que é um tema fundamental e que precisa ser discutido com todos”, pontuou.

A gestora da unidade, Cleine Rodrigues, também ressaltou a importância de abordar o tema dentro do ambiente escolar.

“Este é um assunto que reflete muito no contexto da nossa comunidade. Por isso é tão importante que os estudantes participem e tenham acesso a informações como essas, abordando um problema que é comum e com o qual eles são diretamente afetados. Trazer essa discussão para a escola é um passo importante para conscientizar, orientar e, juntos, buscarmos caminhos de enfrentamento”, afirmou.

Durante o encontro, também foram distribuídos folders informativos com orientações sobre serviços de apoio e proteção às mulheres, como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher Yolanda Pires (CRAM) e o Núcleo de Atendimento à Mulher (NAM). O material também trouxe informações sobre a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), tipos de violência e canais de denúncia, como o Disque 180.

Em 2025, o projeto “Respeito é a Base” atendeu cerca de 65 unidades de ensino. A expectativa é que, neste ano, a iniciativa seja ampliada e alcance ainda mais escolas do município, fortalecendo a cultura do respeito e da prevenção à violência desde a formação dos jovens.

Comentários:

Ao enviar esse comentário você concorda com nossa Política de Privacidade.

Logo Sou da Bahia
Resumo das Políticas

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.