“Não houve traição”, diz Otto Alencar após saída de Coronel e possível ida para o União Brasil

Senador afirma que Coronel sempre quis apoiar ACM Neto, relata surpresa com rompimento e minimiza impacto na base governista

Política
“Não houve traição”, diz Otto Alencar após saída de Coronel e possível ida para o União Brasil
Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Otto Alencar negou que tenha havido traição política na decisão do senador Angelo Coronel de deixar o PSD e se afastar da base governista da Bahia. Em entrevista ao programa Jornal da Bahia no Ar, nesta segunda-feira (2), Otto afirmou que Coronel sempre deixou claro o desejo de apoiar ACM Neto, adversário do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

“Não teve traição nenhuma. Ele nunca negou a vontade de apoiar o candidato da oposição, ACM Neto”, afirmou Otto.

Segundo o senador, a mudança de posicionamento de Coronel ao longo dos anos também contribuiu para o afastamento.

“Na minha cabeça, ele tinha uma posição de centro-social como eu tenho, mas depois ele ficou à direita”, completou.

Angelo Coronel anunciou oficialmente sua saída do PSD no último sábado (31) e confirmou que disputará a reeleição ao Senado pela oposição na Bahia. O rompimento ocorre em meio a uma crise interna no partido, agravada após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à legenda.

A saída de Coronel aprofundou as tensões dentro da base governista e expôs rupturas no grupo político que sustenta o governo estadual. Otto Alencar afirmou ter sido surpreendido pela forma como o aliado anunciou o rompimento, relatando que tentava dialogar antes da decisão se tornar pública.

“Tentei falar com o Ângelo. No sábado à noite, eu não sei o que aconteceu. Ele pegou a metralhadora e saiu metralhando todo mundo, soltando notas em todos os jornais, dizendo que já estava fora”, disse.

Otto afirmou ainda que buscava uma conversa direta para evitar o desgaste público e afirmou se sentir vítima do processo.

“Eu sou a vítima desse processo todo. Sem consultar o conselho, PSD, Avante, MDB”, declarou, ao comentar críticas sobre uma possível definição antecipada de chapa.

Ao rebater acusações de hegemonia do PT dentro da base aliada, Otto Alencar reforçou que sua trajetória política é de centro e que sua relação com lideranças como Lula e Jaques Wagner se baseia na confiança e na história política construída ao longo dos anos.

“Eu sou do PSD. Eu sou de centro. Não sou de esquerda. Por que eles me chamaram? Pela minha trajetória e pela confiança”, afirmou.

Segundo Otto, mesmo após Coronel ter participado de uma reunião em São Paulo com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o senador já sabia que a maioria da legenda na Bahia havia decidido seguir apoiando Jerônimo Rodrigues.

“A maioria dos prefeitos queria continuar na base do governo. Quando ele foi a São Paulo, ele já sabia disso”, explicou.

Otto também revelou que Kassab chegou a sugerir uma candidatura sem apoio claro a nenhum dos lados, proposta que, segundo ele, não teve respaldo entre deputados e lideranças partidárias.

Por fim, o senador afirmou que não acredita em uma debandada de prefeitos do PSD após a saída de Coronel.

“A maioria vai achar que eu estou com a razão e vai ficar comigo. Consultei a maioria dos prefeitos”, concluiu.

Comentários:

Ao enviar esse comentário você concorda com nossa Política de Privacidade.

Logo Sou da Bahia
Resumo das Políticas

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.