“Não dá pra aceitar”: Marta Rodrigues apoia campanha contra feminicídio na Câmara de Salvador
Vereadora reforça que combate à violência exige mais que discurso e ganha protagonismo em mobilização

A sessão desta segunda-feira (23), na Câmara Municipal de Salvador foi marcada por um posicionamento direto contra a violência de gênero. Com vereadores vestidos de roxo, a Casa lançou uma campanha de enfrentamento ao feminicídio.
“A gente não pode aceitar essa realidade”
Em entrevista ao Portal Sou da Bahia, a vereadora Marta Rodrigues, destacou o caráter coletivo da mobilização e chamou atenção para a adesão dos parlamentares.
“Uma campanha importantíssima, com adesão muito forte, tanto nos vídeos quanto aqui hoje, vestindo a camisa”, afirmou.
Mesmo reconhecendo o engajamento, ela reforçou que o enfrentamento à violência precisa ir além de gestos simbólicos.
“A gente não pode estar reproduzindo essa lógica de aceitar como algo natural. A mulher não pode continuar sendo vítima como tem sido”, disse.
“Não adianta discurso sem ação”
A vereadora foi enfática ao defender que campanhas precisam ser acompanhadas de medidas concretas.
“Não adianta falar só de campanha, de discurso, se a gente não tiver ações concretas”, declarou.
Segundo ela, o combate ao feminicídio passa diretamente por investimento público e articulação entre diferentes esferas de governo.
“A gente precisa de mais orçamento, mais políticas públicas, mais estrutura para garantir proteção às mulheres”, completou.
“É uma questão estrutural”
Durante a fala, Marta também apontou fatores culturais e sociais por trás da violência.
“São os homens que cometem, muitas vezes por não aceitarem o ‘não’, por acharem que a mulher é propriedade”, destacou.
Ela ainda alertou para o risco de normalização desse tipo de comportamento dentro da sociedade.
“A gente não pode viver em uma sociedade onde o que pauta é a violência contra a mulher, chegando ao feminicídio”, afirmou.
“Precisamos facilitar o acesso à denúncia”
A vereadora relembrou dificuldades enfrentadas por mulheres para denunciar agressões, especialmente em contextos como a pandemia, e defendeu soluções práticas.
“Muitas mulheres não conseguiam denunciar e estavam sofrendo dentro de casa. Por isso, mecanismos online são fundamentais”, disse.
Ela também citou a importância de estruturas integradas de atendimento.
“A mulher não pode ficar repetindo a mesma história em vários lugares, isso revitimiza. Precisamos de uma rede que acolha de forma eficiente”, pontuou.
Mobilização coletiva na Casa
A campanha foi sugerida pela vereadora Aladilce Souza e encampada pelo presidente da Câmara, Carlos Muniz.
Com frases de impacto nas camisetas e participação ativa dos parlamentares, a ação busca conscientizar a sociedade sobre um problema que, no Brasil, mata quatro mulheres por dia.
“A gente precisa falar e agir”
Encerrando sua fala, Marta voltou a reforçar o papel da mobilização dentro e fora da Câmara.
“A gente tem que falar para fora, mostrar que não dá pra conviver com realidades tão duras como essa”, concluiu.



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