Mpox acende alerta no Brasil: como o vírus se espalha, quais os sintomas e quando buscar ajuda
Doença viral voltou ao centro do debate após casos no país e reforço na vigilância sanitária

O avanço dos registros de mpox nos últimos anos recolocou a doença no radar das autoridades sanitárias. No Brasil, o tema voltou à pauta após confirmações em diferentes estados — e, em Porto Alegre, o primeiro caso oficial mobilizou a rede de saúde, que intensificou protocolos de monitoramento, orientação à população e preparo das equipes para reconhecer rapidamente os sinais da infecção.
Embora tenha ganhado visibilidade recente, o mpox não é um vírus novo. Ele já circulava há décadas em regiões da África, especialmente em áreas florestais, com transmissão associada ao contato com animais silvestres. O cenário mudou quando passaram a surgir cadeias de contágio sustentadas entre pessoas, inclusive fora do continente africano, exigindo esclarecimentos sobre o que é a doença, como ela se espalha e quais cuidados são necessários.
O que é mpox e por que a doença preocupa?
O mpox — anteriormente chamado de “varíola dos macacos” — é uma infecção causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, o mesmo grupo da varíola humana, embora apresente comportamento diferente. A doença costuma ter início rápido e duração média de duas a quatro semanas.
Na maioria das ocorrências, o quadro clínico varia de leve a moderado. No entanto, pessoas com imunidade comprometida, gestantes, crianças pequenas e pacientes com outras condições de saúde podem desenvolver manifestações mais graves.
Do ponto de vista da saúde pública, dois fatores explicam o alerta: a possibilidade de transmissão em ambientes urbanos e a presença de lesões de pele que exigem cuidado para evitar infecções secundárias e marcas permanentes. Desde o aumento global de notificações a partir de 2022, unidades de saúde passaram a adotar protocolos específicos para identificação precoce e isolamento de casos suspeitos.
Como ocorre a transmissão?
O contágio acontece principalmente por contato direto e prolongado com alguém infectado. Isso inclui tocar lesões, crostas ou secreções, além de proximidade íntima — como beijos, abraços e relações sexuais.
Também é possível haver transmissão pelo compartilhamento de objetos contaminados, como roupas de cama, toalhas ou superfícies com secreções do vírus. Em ambientes fechados, gotículas respiratórias podem representar risco quando há convivência muito próxima e prolongada.
Entre as formas mais comuns de transmissão estão:
- Contato pele a pele com lesões ativas.
- Manipulação de objetos contaminados.
- Relações íntimas, independentemente da orientação sexual.
- Proximidade intensa em locais pouco ventilados.
Há ainda registros de transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto. Em regiões onde o vírus circula entre animais silvestres, o contato com essas espécies também pode representar risco. Já em centros urbanos, a disseminação tem ocorrido predominantemente entre pessoas.
Quais são os sintomas mais frequentes?
O período de incubação — intervalo entre o contato com o vírus e o surgimento dos sintomas — varia de 5 a 21 dias. No início, os sinais podem se confundir com os de outras infecções virais.
Os sintomas mais relatados incluem:
- Febre moderada
- Cansaço e mal-estar
- Dor de cabeça e dores musculares
- Ínguas no pescoço, axilas ou virilha
- Erupções na pele que evoluem de manchas para bolhas e crostas
As lesões podem surgir no rosto, tronco, mãos, pés e também na região genital ou anal. Em parte dos casos mais recentes, o número de lesões é pequeno e pode se concentrar em áreas íntimas, o que pode gerar confusão com outras infecções sexualmente transmissíveis. A dor, especialmente em regiões sensíveis, costuma ser um dos principais motivos para a busca por atendimento médico.
Diagnóstico e tratamento: o que se sabe até agora
A confirmação do mpox depende da avaliação clínica associada a exames laboratoriais. O profissional de saúde analisa sintomas, histórico de exposição e aspecto das lesões. Quando há suspeita, o material coletado das erupções é encaminhado para testes como o PCR, capaz de identificar o material genético do vírus. Em Porto Alegre, por exemplo, as amostras seguem protocolos definidos pelas autoridades sanitárias e são direcionadas a laboratórios de referência.
O tratamento é, em geral, sintomático. Isso significa que o foco está em aliviar dor e febre, manter hidratação adequada e cuidar das lesões para prevenir infecções bacterianas. Em pacientes com maior risco de agravamento, antivirais utilizados para outros orthopoxvírus podem ser considerados, conforme avaliação médica e disponibilidade na rede pública.
Entre as orientações recomendadas estão:
- Higienizar e manter as lesões secas.
- Evitar coçar as áreas afetadas.
- Utilizar medicamentos prescritos para dor e febre.
- Permanecer em isolamento domiciliar enquanto houver crostas ativas.
- Informar pessoas que tiveram contato próximo para monitoramento de sintomas.
Como prevenir a mpox hoje?
A prevenção envolve medidas individuais e estratégias coletivas. Evitar contato direto com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais e priorizar ambientes ventilados são ações básicas que reduzem o risco de infecção.
Embora o uso de preservativos seja importante nas relações íntimas, no caso do mpox o principal cuidado é evitar contato direto com lesões e secreções.
Vacinas originalmente desenvolvidas contra a varíola humana têm sido utilizadas em alguns países como estratégia complementar para grupos específicos, como profissionais de saúde e pessoas com maior risco de exposição. No Brasil, a aplicação segue critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, de acordo com disponibilidade e evidências científicas atualizadas até 2026.



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