Líquido azul e amarelo na areia? Praia de São Tomé de Paripe é interditada
Inema bloqueia trecho da orla após identificação de substâncias com nitrato e cobre

Um trecho da Praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, foi interditado após a identificação de líquidos de coloração azul e amarela na faixa de areia. A decisão foi tomada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que determinou o bloqueio preventivo da área até a conclusão das análises técnicas.
O ponto isolado corresponde exatamente ao local onde as substâncias foram encontradas. Segundo o órgão ambiental, placas de advertência foram instaladas para restringir o acesso, já que a região é frequentada por banhistas, pescadores e moradores.
“Em razão da presença de líquidos de origem desconhecida em ambiente costeiro, área frequentada por banhistas, pescadores e demais usuários, e com base no princípio da precaução, foi determinada a instalação de placas de advertência no local afetado, restringindo o acesso da população”, informou o instituto em nota.
Como o caso começou
A investigação teve início após vídeos com imagens das substâncias circularem nas redes sociais. Depois de tomar conhecimento do material, o Inema realizou inspeções técnicas nos dias 20, 24 e 26 de fevereiro.
Durante as vistorias na orla e no terminal marítimo próximo, os técnicos localizaram os líquidos em uma área de areia situada atrás de uma empresa que atua na região. De acordo com o órgão, o material não apresenta características naturais e tornava-se visível quando a areia era revolvida.
O que apontam as análises iniciais
Equipes do instituto coletaram amostras da água do mar e das substâncias encontradas para exames laboratoriais. Também foram realizadas inspeções na empresa que opera com estocagem e movimentação de graneis sólidos, para apurar possíveis irregularidades.
Os resultados preliminares, encaminhados ao órgão nesta terça-feira (3), indicaram:
• Líquido azul: altas concentrações de nitrato e cobre
• Líquido amarelo: concentração elevada de nitrato
Além disso, foram detectadas menores quantidades dessas substâncias em amostras coletadas nas proximidades da área operacional da empresa.
O Inema informou que seguirá monitorando a situação e que, a depender dos laudos finais e das investigações em curso, poderão ser adotadas medidas administrativas para prevenir, mitigar ou reparar eventuais danos ambientais.
O que diz a Intermarítima
Em nota, a Intermarítima afirmou que mantém protocolos ambientais rigorosos desde que assumiu a operação do terminal, em abril de 2022, e declarou não movimentar produtos químicos perigosos como enxofre, amônia ou cobre.
A empresa informou que atua na movimentação de fertilizantes — como cloreto de potássio, rocha fosfática e ureia — além de coque e escória de titânio, todos com licenças ambientais vigentes.
Para contribuir com o esclarecimento do caso, a companhia disse ter contratado consultoria independente para realizar análises complementares da qualidade da água, com coletas feitas por laboratório credenciado e acompanhamento da fiscalização.
A Intermarítima também destacou que realiza monitoramento periódico da qualidade do ar, envia relatórios ao Inema e que todas as medições permanecem dentro dos limites legais. A empresa possui certificações ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001, além do selo Ecovadis Prata.
Segundo a nota, a organização segue colaborando com os órgãos competentes e reforça que tem interesse na rápida elucidação do caso.
Enquanto isso, o trecho da praia permanece isolado até a conclusão das análises definitivas.



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