Leptospirose acende alerta em Salvador e prefeitura reúne especialistas para discutir prevenção

Encontro reuniu pesquisadores da Fiocruz, Ufba e profissionais da saúde para discutir ações integradas contra a doença, que costuma aumentar em períodos de chuva.

Salvador
Leptospirose acende alerta em Salvador e prefeitura reúne especialistas para discutir prevenção
Fotos: Bruno Concha/ Secom PMS

A preocupação com o aumento de casos de leptospirose levou a Prefeitura de Salvador a promover, nesta quinta-feira (12), o workshop “A Leptospirose: um Desafio Intersetorial”, reunindo profissionais da saúde pública, pesquisadores e representantes de órgãos municipais. O encontro ocorreu na Escola de Saúde Pública do Município (ESPS), no bairro do Comércio, e teve como objetivo discutir estratégias de prevenção e enfrentamento da doença na capital baiana.

Participaram do evento pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e profissionais da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) que atuam diretamente no controle e monitoramento de casos. A leptospirose é considerada uma doença negligenciada, que afeta principalmente populações mais vulneráveis, sobretudo em locais com deficiência de saneamento básico e maior exposição a ambientes alagados.

Durante o encontro, o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Alves, destacou que o enfrentamento da doença exige atuação integrada entre diferentes áreas da gestão pública. “Salvador avançou muito na ampliação da sua rede de saúde ao longo dos últimos anos. Agora, estamos aprofundando o trabalho para enfrentar indicadores que ainda nos desafiam, como as doenças negligenciadas. Isso exige método, informação qualificada e integração entre equipes, serviços e setores da gestão. Estamos organizando diferentes frentes de trabalho para fortalecer o acompanhamento dos indicadores e aprimorar a capacidade de resposta da rede”, afirmou.

A diretora da Vigilância Sanitária (Visa), Andréa Salvador, ressaltou que a cidade tem ampliado a atenção às doenças negligenciadas, especialmente em períodos de maior volume de chuvas, quando cresce o risco de contaminação. Segundo ela, o contato com água de alagamentos contaminada pela urina de ratos é um dos principais fatores de transmissão.

“Nossa população precisa ter consciência dos alertas, como a necessidade de ter mais cuidado com alagamentos, principalmente porque sabemos que nossa capital tem registrado períodos de muita chuva. Temos passado por anos difíceis, com um volume de precipitação maior do que o esperado”, alertou.

A diretora também orientou que pessoas que tiveram contato com água de enchente ou situações de risco devem ficar atentas aos sintomas da doença, como febre alta, dores no corpo e mal-estar, procurando imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica.

“Sabemos que os sintomas das síndromes febris agudas podem ser parecidos com os de várias doenças, mas essa informação ajuda no diagnóstico correto. Existe um tratamento seguro que, quando feito da forma adequada, protege o paciente e evita complicações. Por isso, é fundamental ter cuidado redobrado nesta época do ano, inclusive no ambiente em que vivemos”, completou.

Além das orientações de saúde, especialistas destacaram a importância de medidas preventivas por parte da população, como evitar o descarte irregular de lixo nas ruas, que pode provocar entupimento de bueiros e contribuir para alagamentos. Em casos de problemas urbanos, a recomendação é acionar a Ouvidoria de Salvador pelo telefone 156 ou pelo aplicativo Salvador Digital.

De acordo com Rita Cal, chefe do setor de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Dant), alguns bairros da capital baiana registram historicamente maior incidência de casos, entre eles São Marcos, Pau da Lima, São Caetano e Valéria. O workshop teve como foco ampliar o debate sobre o problema e fortalecer a articulação entre diferentes setores da administração pública.

“O foco principal hoje foi exatamente essa articulação com outros setores, além da saúde, para que possamos entender como enfrentar a leptospirose de forma mais eficaz. Além disso, este é um momento que não queremos que termine aqui. É uma oportunidade para mostrar, ouvir e refletir sobre como podemos atuar daqui para frente, pensar em estratégias conjuntas e construir um plano de ação para enfrentar a leptospirose em Salvador”, finalizou.

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