Internações por violência no trânsito podem chegar a R$ 5 mil por dia, alerta hospital estadual
Segundo o Hospital Geral Clériston Andrade, internações prolongadas, uso intensivo de tecnologia e equipes especializadas pressionam o orçamento do SUS

Além das perdas humanas, o crescimento da violência no trânsito tem gerado impactos significativos para a saúde pública, especialmente pelo alto custo do atendimento a vítimas de acidentes graves, que pode chegar a até R$ 5 mil por dia, segundo a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab).
Segundo a pasta, internações prolongadas, uso intensivo de tecnologia e equipes especializadas pressionam o orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e comprometem a capacidade assistencial das unidades hospitalares. Esse cenário foi debatido, nesta semana, durante uma coletiva de imprensa realizada no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, com a presença de jornalistas, autoridades da saúde, do trânsito e representantes da sociedade civil.
Durante o encontro, foram apresentados os dados referentes aos atendimentos realizados em 2025. Segundo o hospital, foram realizados 3.339 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito em 2025, o que representa um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior.
Perfil dos acidentados
De acordo com a diretora-geral do HGCA, Cristiana França, os acidentes de trânsito seguem como a principal causa de entrada de pacientes politraumatizados na unidade. “Hoje, cerca de 80% dos pacientes politraumatizados atendidos no Clériston Andrade são vítimas de acidentes de trânsito, com predominância absoluta dos acidentes envolvendo motocicletas. É uma demanda que cresce a cada ano e que impacta diretamente a capacidade assistencial do hospital”, afirmou.
O perfil dos acidentados são, majoritariamente, motociclistas, sendo a maioria homens, com idade entre 16 e 35 anos. “Quando esses jovens não vão a óbito, muitos ficam com sequelas graves e permanentes, como perda de mobilidade. Isso gera um impacto profundo não apenas para a família, mas para toda a sociedade”, destacou Cristiana França.
Custos da internação
Além do impacto humano, a gestora ressaltou os custos elevados para o Sistema Único de Saúde. “Um paciente politraumatizado internado na UTI custa, em média, quase R$ 5 mil por dia. Nas enfermarias, um paciente ortopédico custa cerca de R$ 1 mil por dia, enquanto na neurocirurgia esse valor pode chegar a R$ 2 mil diários, devido à complexidade e à tecnologia envolvida. Recursos que poderiam estar sendo direcionados para outras melhorias na assistência à população”, explicou.
Para Cristiana França, o hospital representa a última ponta de um problema que começa no trânsito. “O Clériston é a última porta dessa cadeia. Por mais que o Estado invista em tecnologia, equipamentos e estrutura hospitalar, não queremos corredores cheios. Queremos menos acidentes, menos vítimas e mais qualidade de vida. Isso só será possível com educação e fiscalização efetiva no trânsito”, pontuou.



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