Florence aponta drenagem negligenciada pela prefeitura como causa da poluição das praias de Salvador

Secretário da Casa Civil rebate prefeito e afirma que drenagem urbana é responsabilidade constitucional do município

Florence aponta drenagem negligenciada pela prefeitura como causa da poluição das praias de Salvador
Foto: Ascom Casa Civil

A poluição que torna diversas praias de Salvador impróprias para banho tem origem na negligência da Prefeitura de Salvador com a drenagem urbana. A afirmação é do secretário estadual da Casa Civil, Afonso Florence, que rebateu declarações do prefeito Bruno Reis ao negar qualquer responsabilidade do Governo do Estado ou da Embasa sobre o problema ambiental.

Segundo Florence, a Constituição Federal define claramente que o saneamento básico é atribuição dos municípios, incluindo três pilares: coleta e tratamento de esgoto, destinação adequada dos resíduos sólidos e drenagem urbana. Para o secretário, a ausência de investimentos e ações efetivas nessas áreas resulta diretamente na contaminação do litoral da capital baiana.

“Sem obras de drenagem, coleta adequada do lixo e fiscalização ambiental, não há como impedir que a poluição chegue às praias”, afirmou Florence, classificando como inverídicas as tentativas de transferir a responsabilidade ao Estado.

Do ponto de vista técnico, o secretário explicou que a Embasa atua exclusivamente na coleta e no tratamento de esgoto. Atualmente, mais de um milhão de imóveis em Salvador são atendidos pelo sistema, que encaminha todo o esgoto coletado para tratamento adequado. O efluente tratado é lançado nos emissários submarinos do Rio Vermelho e do Jaguaribe, seguindo rigorosamente os padrões ambientais exigidos.

De acordo com Florence, a principal causa da poluição das praias está na falta de ordenamento urbano e de fiscalização do uso do solo, atribuições diretas da prefeitura. A ausência de proteção às áreas ambientalmente sensíveis, como margens de rios e canais urbanos, aliada à falha na coleta de lixo, faz com que resíduos sólidos e esgoto irregular sejam arrastados para a rede de drenagem.

Em períodos de estiagem, parte dessa poluição é interceptada pelas 65 estações de captação operadas pela Embasa, que desviam a água contaminada para a rede de esgoto. No entanto, durante as chuvas, a água poluída proveniente dos canais sob responsabilidade municipal acaba sendo despejada diretamente no mar, agravando a contaminação das praias.

Florence responsabilizou diretamente as gestões municipais de Salvador, citando o atual prefeito Bruno Reis e o ex-prefeito ACM Neto, pela omissão continuada em cumprir o dever constitucional de investir na despoluição da drenagem urbana.

Em contraponto, o secretário destacou que o Governo da Bahia, em parceria com o Governo Federal, já executa obras estruturantes por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimentos que chegam a cerca de R$ 1 bilhão em obras de drenagem na capital.

Apesar das críticas, Florence defendeu a necessidade de uma atuação conjunta entre Estado e município para enfrentar o problema. Ainda assim, foi categórico ao afirmar que, caso a prefeitura não cumpra seu papel, o Governo do Estado continuará fazendo sua parte para garantir a despoluição das praias de Salvador.

Comentários:

Ao enviar esse comentário você concorda com nossa Política de Privacidade.

Logo Sou da Bahia
Resumo das Políticas

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.