“‘Fetiche do corno’ existe — e Luiza Ambiel só falou o que muitos vivem em segredo”

O relato da ex-Banheira do Gugu reacende o debate sobre o universo do cuckold, um dos fetiches que mais cresce em buscas, conteúdos adultos e comunidades online no Brasil.

Brasil
“‘Fetiche do corno’ existe — e Luiza Ambiel só falou o que muitos vivem em segredo”

Quando Luiza Ambiel decidiu revelar nos bastidores de uma gravação que seu parceiro sente tesão ao vê-la com outras pessoas, o assunto rapidamente ganhou repercussão. A ex-Banheira do Gugu chamou o fenômeno de “fetiche de corno”, mas na verdade estava tocando em um tema que cresce cada vez mais no Brasil: o cuckold.

Em entrevista à revista Quem, Ambiel foi direta ao dizer que tudo em sua relação é consensual e transparente. “Eu não tenho nenhuma dificuldade em lidar com isso, até porque tudo na minha relação é combinado. Se funciona para nós dois, não vejo motivo para transformar em polêmica”, afirmou.

O que é, de fato, o cuckold?

De acordo com Mayumi Sato, CMO do Sexlog — maior rede social de sexo e swing da América Latina — o cuckold é uma fantasia ou prática sexual em que uma pessoa sente prazer em ver sua parceira fazendo sexo com outra pessoa. Geralmente, o homem assume o papel de “corno” (de forma consensual) e a mulher é chamada de hotwife.

Mayumi explica que o fetiche pode se manifestar de várias formas:
– apenas relatos eróticos;
– gravações para uso do casal;
– transmissão ao vivo;
– ou até produção de conteúdo para redes e plataformas adultas.

A grande diferença em relação à traição real está no consentimento explícito e na negociação clara dos limites. “Não se trata de infidelidade clandestina, mas de uma prática erótica acordada entre adultos”, reforça a especialista.

Do privado ao público: como o cuckold virou conteúdo

Com o avanço de redes voltadas ao universo adulto, o cuckold deixou de ser um tema restrito às fantasias íntimas. Plataformas como o Sexlog e o Hotvips criaram comunidades em que casais e solteiros compartilham desejos, relatos e até vídeos dessa prática.

O Sexlog, por exemplo, reúne mais de 23 milhões de usuários, evidenciando o tamanho do público interessado. Já o Hotvips, focado na venda de conteúdo erótico e fetichista, observa uma procura crescente por packs e vídeos ligados ao universo hotwife e cuckold.

Segundo Maíra Fischer, Community Manager da plataforma, os conteúdos relacionados ao tema estão entre os mais consumidos. Não à toa: no chamado “dia do corno”, data não oficial celebrada pela comunidade, as interações e buscas relacionadas ao fetiche disparam em todo o país.

Para alguns casais, transformar o fetiche em conteúdo adulto — como no caso citado por Ambiel — acaba unindo fantasia, transparência e até renda extra.

Por que o fetiche cresce tanto?

O interesse crescente pelo cuckold está ligado a transformações sociais profundas:

• Revisão da monogamia tradicional: muitos casais buscam novas formas de viver o desejo.
• Erotização da transgressão: o proibido e o ciúme consensual podem ser altamente excitantes.
• Comunidades online: maior representatividade diminui o tabu e normaliza conversas antes tidas como impróprias.
• Consentimento como fundamento: diferente de traição, o fetiche depende de acordo, limite e comunicação.

Quando é preciso cuidado

Apesar de ser uma fantasia poderosa para muitos, o cuckold exige maturidade emocional, comunicação clara e limites bem definidos. Sem esses elementos, a prática pode gerar insegurança, exposição indesejada ou sofrimento.

Para quem consegue estabelecer esse equilíbrio, o fetiche pode ser apenas mais uma forma legítima de viver a sexualidade de maneira segura e consensual.

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